
O encenador Rogério de Carvalho, de 88 anos, morreu, ontem, domingo, 22, em Portugal, no Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde se encontrava desde o dia 15, na sequência de um acidente vascular cerebral, disse fonte da Companhia de Teatro de Almada.
Nascido na Gabela, província do Cuanza Sul, em 1936, cedo emigrou para Portugal, onde residia há mais de seis décadas. Em 2021, foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Cultura e Artes na disciplina de Teatro, a maior distinção do Estado angolano no domínio da cultura.
Rogério de Carvalho dedicou grande parte da sua carreira de 60 anos no teatro a textos de dramaturgos como Jean Genet, Bernard-Marie Koltès, Rainer Werner Fassbinder, Howard Barker, Eugene O’Neill e Anton Tchekhov, sem esquecer clássicos como Molière e Gil Vicente, nem tão pouco origens do drama, de Platão a Eurípides.
Rogério de Carvalho iniciou a sua carreira ainda enquanto aluno do Conservatório Nacional de Lisboa, actual Escola Superior de Teatro e Cinema, na qual leccionou até 2007.
Breyten Breytenbach, Peter Handke, Arthur Schnitzler, Pierre de Marivaux foram outros dramaturgos que trouxe para os palcos portugueses.
Reconhecido pela exigência a que se impunha, Rogério de Carvalho foi distinguido com o Prémio Almada 2001 e com o Grande Prémio da Crítica em 2012, por espectáculos que dirigiu para as companhias Ensemble e “As Boas Raparigas vão para o céu, as más para todo o lado”, projecto teatral de que foi director artístico, criado no seio de uma nova geração de criadores da cidade do Porto.
Trabalhou regularmente com a Companhia de Teatro de Almada e com o Teatro Griot, o Teatro Oficina e A Escola da Noite, entre outras companhias, e dirigiu espectáculos para os teatros nacionais D. Maria II e São João.
Acompanhou a formação de sucessivas gerações de teatro universitário, em Braga e no Porto.