
O jornalista angolano Guilherme Galiano, antigo presidente do Conselho de Administração (PCA) da TV Zimbo, morreu na madrugada deste domingo, em Lisboa, vítima de doença prolongada. Tinha 64 anos.
Com uma carreira marcada pela inovação e pela aposta em novos talentos, Guilherme Galiano destacou-se como uma das figuras mais influentes da comunicação social angolana na última década.
Em 11 anos de actividade na TV Zimbo, desempenhou cargos de relevo, entre os quais diretor de Informação, diretor de Projetos Especiais e, até agosto de 2020, presidente do Conselho de Administração, função que deixou aquando da alienação do canal pelo Estado.
Reconhecido pelo seu “olho clínico”, foi responsável pela descoberta e projecção de profissionais que hoje ocupam lugares de destaque no jornalismo nacional, como Dina Simão, Sofia Lucas, Esmeraldo Baptista e Armindo Laureano, actual director do Novo Jornal.
Além da televisão, Galiano deixou contributos relevantes na literatura e na preservação da memória histórica. Em fevereiro de 2024, lançou o segundo volume da obra Memórias da Independência, publicada pela Editora Acácias, resultado de um extenso trabalho de entrevistas a 69 personalidades ligadas à política, à cultura e à luta de libertação.
O primeiro volume, lançado anteriormente, reuniu testemunhos de figuras de diferentes quadrantes políticos, como Dino Matrosse, Ernesto Mulato, França Ndalu, Jaka Jamba, Jorge Valentim, José Diogo Ventura, José Samuel Chiwale, Lucas Ngonda, Luzia Inglês e Roberto de Almeida.
Nascido a 28 de Setembro de 1960, em Benguela, iniciou o percurso profissional em Portugal, na Rádio Universitária do Tejo, com o programa A Voz do Kilimanjaro.
Passou depois pela Rádio Comercial (1986-1992), Rádio Clube Português (1992-1994) e integrou o projeto Canal África, que deu origem à RDP África, da qual foi um dos fundadores.
Participou também no programa televisivo Kandandu, uma co-produção da RTP e da TPA, onde começou como produtor musical, assumindo mais tarde a apresentação, em substituição de André Mingas.
Após 28 anos em Portugal, regressou definitivamente a Angola em 2009, para assumir a direção de programas da TV Zimbo, a primeira televisão privada do país, consolidando o seu papel como um dos grandes nomes do jornalismo nacional.