Mota Liz, um combatente da impunidade
Mota Liz, um combatente da impunidade
Mota e Pitta

L uis de Assunção Pedro da Mota Liz é um reputado jurista que já exerceu vários cargos, tendo se notabilizado na qualidade de procurador junto da então Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), um cargo que viria a abandonar, supostamente, na sequência do ‘caso Boa Vista’, no qual terá ‘descoberto’ desvios de fundos públicos que envolviam o Conselho Nacional de Carregadores (CNC), como avançaram a este jornal figuras que acompanharam o desenrolar do processo.

Nesta altura, o ‘caso Boa Vista’ conformava a construção de uma cidade, exactamente, ali onde existia o mercado do Roque Santeiro, tendo os vendedores sido ‘varridos’ a pressa assim como os moradores do bairro Boa Vista que seriam ‘desterrados’ para o Zango.

Mas antes de vir para a DNIC, em Luanda, foi procurador na Lunda Norte, vice-ministro do Ambiente, procurador-geral adjunto da República e actualmente é presidente da assembleia geral da Federação Angolana de Futebol (FAF).

Assunção, nome pelo qual é mais conhecido, entre os mais chegados, é um homem de meia idade, portanto, ainda fresco para os embates da vida. Nasceu no bairro Quivim, município de Sanza Pombo, província do Uíge e na infância nunca teve atritos com ninguém.

“Foi sempre um bom rapaz lá na aldeia”, conta uma figura próxima. São da sua época, na terra natal, o jornalista João Baptista da Silva (Xietu), ou ainda o artista plástico Álvaro Macieira entre tantos outros.

Numa conferência internacional sobre justiça e paz realizada em Benguela, sob os auspícios da Universidade Katyavala Buila, em que participaram entidades portuguesas e holandesas, Mota Liz levantou a questão de “gente importante”, os ‘intocáveis’ que julgavam que não podiam ser chamados à pedra.

“Muitas das figuras a constas com a justiça achavam que eram a própria lei”, sublinhou, garantindo de seguida que a Procuradoria-Geral da República (PGR), tinha o compromisso sério com o combate à impunidade e à corrupção.

Nas vestes de vice-procurador-geral da República, em 2018, o jornalista e investigador angolano, Rafael Marques, redigiu um texto onde Mota Liz é acusado de ter usurpado terreno, de um cidadão, no qual estaria a construir um centro comercial, em Luanda.

Na sequência, outro jornalista, Carlos Alberto (actualmente na prisão), também enveredaria por uma acusação, desta vez pelo suposto facto de Liz ter usurpado um imóvel. Aos dois responderia com um texto em que sublinha o facto de não ser seu feitio ficar com coisa alheia.

“Não faz qualquer sentido e mostra-se manifestamente infundada a ideia de qualquer usurpação, no caso”, apontou.

“Não sei me apropriar de coisa alheia, nem mesmo achada, por maior que seja o seu valor, procuro sempre o seu dono”, insistiu.

Lembrando a sua infância referiu que por mais fome que tivesse, nunca foi capaz de tirar uma mandioca ou um feixe de ginguba em lavra alheia. “Para saciar a fome, que suportei inúmeras vezes, apanhava ginguenga, ginbote ou maboque, frutos da natureza, disponíveis para todos”.

Chocado com as acusações, disse mais: “Tenho consciência que ainda que seja reposta a verdade na justiça, a semelhança dos efeitos de qualquer fofoca, jamais vai reparar, na integra, os danos infligidos a minha personalidade e a minha família”.

“Sou defensor de uma ampla protecção da liberdade de expressão e de imprensa, especializei-me em direito da comunicação social e procuro transmitir o alcance e os limites legais do exercício destes direitos. Por isso, também não tolero que a luz destes direitos fundamentais se desenvolvam nódoas que desvirtuam a sua essência, atrapalhando, levianamente, outros direitos de personalidade. É mais um cancro social que deve ser controlado, para o bem da humanidade”, observou Mota Liz.

in Pungo a Ndongo

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