
Os oficiais do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) no Moxico denunciam o alegado desvio de alimentos destinados a efectivos destacados no município de Cazombo, envolvendo o filho do ex-delegado provincial do Moxico, Aparício José Campos, na foto, num episódio que terá deixado quadros da instituição sem abastecimento durante todo o mês de Janeiro de 2026.
Segundo fontes do Imparcial Press, David Campos, motorista do SINSE e filho do então delegado, terá sido incumbido de transportar alimentos do Luena para Cazombo, mas, pelo caminho, desviou parte significativa da carga. Como consequência, os efectivos colocados naquela localidade estão quase sem provisões desde o início do mês em curso.
As mesmas fontes referem que a delegada do Moxico Leste, Kulemba José Gaiato, não terá tomado qualquer medida disciplinar contra o motorista, apesar da gravidade do sucedido, por este ser filho de Aparício José Campos, fruto da relação amorosa que liga os dois.
O episódio enquadra-se num conjunto mais amplo de alegadas irregularidades administrativas e de gestão no seio do SINSE naquelas duas províncias, envolvendo práticas de favorecimento familiar, abuso de poder e tráfico de influência.
De acordo com os oficiais, Aparício José Campos terá usado a sua posição para facilitar o ingresso de familiares na instituição. Em Outubro de 2025, dois filhos do então delegado terão sido admitidos, um como motorista (David Campos) e outro como oficial, afectos às delegações do Moxico e do Moxico Leste.
Os efectivos afirmam ainda que o ex-delegado terá reabilitado uma residência privada no município de Cazombo com material pertencente ao SINSE, numa obra executada por cinco efectivos da brigada de construção da delegação do Luena, que estariam há quase um ano a trabalhar no imóvel sem direito a férias.
A casa, segundo as fontes, teria sido adquirida por cerca de três milhões de kwanzas com verbas públicas, ou seja, do SINSE, para alojar os seus filhos.
As alegadas irregularidades estender-se-iam igualmente à actuação da actual delegada do Moxico Leste, Kulemba José Gaiato. Conforme os funcionários, esta dirigente promoveu o ingresso do sobrinho, Edgar, como motorista, e da sua irmã como auxiliar de limpeza.
Em menos de três meses, esta última teria sido promovida ao cargo de especialista de Recursos Humanos, situação que, segundo os efectivos, viola normas internas e tem gerado desmotivação entre quadros mais antigos.
As fontes acrescentam que a delegada terá ainda permitido que funcionários com menos de cinco anos de serviço participassem no recrutamento de novos efectivos, contrariando regras internas que estabelecem que apenas quadros idóneos com mais de dez anos de serviço podem intervir nesses processos.
Razão pela qual, os oficiais solicitam a intervenção do director-geral do SINSE, general Fernando Garcia Miala, para averiguar os factos e repor a legalidade e a disciplina institucional.
“Vivemos sob opressão e medo. Queremos apenas que a verdade venha à tona e que se ponha fim a estas práticas que mancham a imagem da instituição”, referem.
Contactados pelo Imparcial Press, responsáveis das delegações do SINSE no Moxico e no Moxico Leste não responderam, até ao momento, aos pedidos de esclarecimento sobre as alegações. O espaço permanece aberto para o exercício do direito de resposta.