
O Movimento de Apoio Solidário de Angola (Movangola), liderado por António Alcino Sawanga, é uma nova versão da Associação dos Jovens Angolanos Provenientes da Zâmbia (AJAPRAZ), que se beneficiou, durante os anos da sua graça, das “vacas gordas” de milhões de dólares de vários orçamentos gerais do Estado, sob a liderança do falecido ex-Presidente José Eduardo dos Santos.
Desde que o Presidente João Lourenço chegou ao poder, nunca mais se ouviu falar desta organização (AJAPRAZ), que possui Estatuto de Utilidade Pública e ainda abocanhou dos cofres públicos, em 2019, um total de 1,3 milhões de kwanzas. Parece que a promessa de mudança foi mais uma ilusão política do que uma realidade tangível.
No entanto, João Lourenço – que inicialmente manifestou-se contra a forma de actuação da AJAPRAZ, Movimento Espontâneo, FESA e companhia – deu, estranhamente, um grande fôlego ao Movangola, que agora actua da mesma forma que as supostas organizações não governamentais acima citadas.
É notório que, semanalmente, a maior parte dos sites supostamente de notícias – sem expressão do público leitor angolano – descaracterizados publicitam, em troca de valores monetários, algumas das actividades do Movangola, destacando o empenho do seu presidente.
Ora, a manipulação da mídia não é novidade, mas continua a ser um triste espetáculo de desinformação paga.
A informação mais recente – que, de facto, fechou com quase tudo – revela que António Sawanga foi homenageado pela Associação de Apoio aos Combatentes das ex-Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (ASCOFA), pelo seu notável contributo social e impacto positivo nas comunidades angolanas. Uff!
Essa palhaçada dá seriamente a entender que até os mais questionáveis líderes podem receber honras imerecidas.
Sinceramente, não sei como esta organização funciona, mas acredito piamente que houve lapsos dos seus dirigentes, uma vez que António Sawanga nunca foi militar desde que chegou ao mundo. Logo, o referido acto de homenagem soa mais como uma farsa do que um reconhecimento legítimo.
Recentemente, circularam informações de que Sawanga estava envolvido no crime de fuga à paternidade. Ou seja, ele negava sustentar uma jovem – que foi sua secretária – com quem se envolveu sexualmente, até ela ficar grávida. Mais um escândalo varrido para debaixo do tapete.
De fato, este caso, na versão dos seus apoiantes, não era um fato noticioso e nem sequer mereceu a devida atenção, sabe-se lá por quê. Mas podemos deduzir que houve dinheiro envolvido e que a jovem e sua criança foram deixadas de lado. O silêncio comprado é uma triste constante em histórias como essa.
Portanto, não se consegue perceber como o MPLA, partido no poder, e o Presidente da República ainda apoiam financeiramente e politicamente este tipo de organizações, cujos líderes são moralistas sem moral. A hipocrisia é tão flagrante que chega a ser insultante para a inteligência do povo angolano.
Essa situação levanta um ponto crucial: a questão do apoio financeiro e político ao Movangola por parte do MPLA e do governo de João Lourenço. É desconcertante que uma organização cujo líder é acusado de comportamentos moralmente questionáveis e que opera com práticas duvidosas continue a receber suporte significativo.
Isso contradiz claramente as promessas de reforma e transparência feitas pelo atual governo e perpetua a sensação de injustiça e impunidade que muitos esperavam ver superada. A retórica vazia não se traduz em acção concreta, e a corrupção continua a prosperar.
A situação do Movangola destaca a necessidade urgente de uma revisão e reforma na forma como organizações como essa são geridas e apoiadas. A supervisão mais rigorosa e a responsabilidade são essenciais para garantir que os fundos públicos e o apoio político sejam direcionados a entidades que realmente beneficiem as comunidades e ajam com a máxima integridade. Sem isso, a perpetuação do ciclo de corrupção e favoritismo está garantida.
Portanto, é imperativo que se implemente uma fiscalização eficaz e uma análise crítica das organizações que recebem apoio do Estado.
A moralidade dos líderes e a transparência nas operações são questões que não podem ser negligenciadas. Só assim se poderá assegurar que o dinheiro e os recursos destinados ao apoio social sejam utilizados de maneira justa e benéfica para todos, e que as promessas de um governo mais responsável sejam cumpridas.
A realidade actual exige um despertar crítico: sem ação e fiscalização, as promessas de um governo mais justo continuarão a ser um sonho distante, enquanto a realidade é dominada por moralistas sem moral e políticas de continuidade da corrupção.