Movimento Contra o Desemprego dúvida da eficácia do Fundo Nacional de Emprego
Movimento Contra o Desemprego dúvida da eficácia do Fundo Nacional de Emprego
UCM

O presidente do Movimento Contra o Desemprego (MCD), Valdumar Joaquim, criticou duramente o Fundo Nacional do Emprego de Angola (FUNEA) apresentado pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, na última terça-feira, 6 de Agosto, em Luanda.

O fundo, avaliado em 27 mil milhões de kwanzas, representa apenas 5% dos 924,2 mil milhões de kwanzas previstos na Agenda Nacional do Emprego para a sua operacionalização.

Em declarações ao Imparcial Press, Valdumar Joaquim destacou que a supervisão do fundo está a cargo do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), do Ministério das Finanças e do Ministério do Planeamento, entidades que, segundo ele, não deveriam estar envolvidas no processo por serem partes interessadas.

“Há outras entidades que poderiam supervisionar a execução do fundo de forma imparcial”, defendeu.

Para UCM, como também é conhecido artisticamente, expressou sérias dúvidas sobre a eficácia dos fundos criados pelo Governo angolano, sublinhando que a taxa de desemprego no país permanece elevada, situando-se actualmente em 32,4%.

O líder do MCD argumenta que, além de criar fundos, é essencial implementar políticas públicas que atraiam investimentos privados e estrangeiros para combater o desemprego de forma sustentável.

Embora não se oponha à criação de fundos públicos destinados à promoção do emprego e à formação profissional, o MCD questiona a real utilidade destes programas.

“No ano passado, o Governo afirmou que, através do FUNEA, formou cerca de 88.671 cidadãos. No entanto, olhando para o actual índice de desemprego, é muito provável que essas pessoas não tenham sido efectivamente inseridas no mercado de trabalho”, observou.

Valdumar Joaquim também mencionou o Balcão Único do Empreendedor (BUÉ), criado em 2012, que financiou 34 mil projectos com um total de 14 mil milhões de kwanzas.

“Até hoje, questionamos os benefícios deste programa e quais investidores foram realmente financiados. Dado o alto índice de corrupção e os frequentes desvios de fundos públicos em Angola, acreditamos que esses programas muitas vezes servem apenas para enriquecer certas individualidades ligadas ao MPLA”, criticou.

Em gesto de remate, o interlocutor do Imparcial Press acredita que o Governo de João Lourenço enfrenta significativa impopularidade, o que leva à criação de fundos semelhantes que desaparecem ou são descontinuados após as eleições.

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