Moxico: Falta de condições nas escolas leva alunos e professores a defecar ao ar livre
Moxico: Falta de condições nas escolas leva alunos e professores a defecar ao ar livre
escola luena

Professores, funcionários administrativos, bem como alunos, partilham uma zona comum (as matas) para necessidades fisiológicas, ao ar livre, nos arredores das escolas 153, 135 e 152, apenas para citar estas como exemplo, no bairro Alto Luena, província do Moxico, por falta de água nas escolas e condições das casas de banho.

Os referidos estabelecimento de ensino naquela região do leste de Angola, ainda enfrentam, igualmente, com carência de material escolar e carteiras, principalmente nas escolas do ensino primário, apurou o Imparcial Press, conforme fontes locais.

Os estudantes, na maior parte das vezes, são obrigados a cruzar com seus educadores/professores nas matas próximo das escolas para onde se deslocam para defecar ao ar livre, quer nos momentos de intervalo escolar e quando a situação biológica os obrigue, segundo relata um dos funcionários.

A fonte do Imparcial Press lamenta, por outro lado, que as casas de banho não funcionam há anos, quer por mau estado até mesmo por falta de água.

“Alunos e professores se cruzam todos no mesmo caminho, no capim, para fazerem necessidades maiores, com todos os riscos possíveis para as alunas. É vergonhoso”, disse.

Ainda de acordo com a fonte, as escolas estão sem carteiras, nem material gastável, como giz, por exemplo, onde os professores são obrigados a subtrair dos seus “baixos salários” para comprar giz, enquanto a briga entre alunos por disputas de carteiras é registado todos os dias nos momentos de aulas.

Já na Escola 152, revela a fonte, das poucas salas de aulas existentes, algumas salas foram ocupadas por funcionários do Posto Médico do Alto Luena para vários serviços de saúde, uma vez que o posto médico daquela localidade se encontra em obras de reabilitação há mais de três anos.

“A escola já tinha poucas salas, ocuparam mais salas para partilhar os pacientes e alunos no mesmo recinto”, concluiu.

Dados do Censo 2014 indicam que mais de dez milhões de pessoas em Angola não têm acesso a infraestruturas adequadas de saneamento, e os índices de defecação ao ar livre são em média 40%. Apenas cerca de 38,6% da população declara lavar as mãos depois de defecar.

De salientar que, em Agosto de 2016, um estudo à situação de água e saneamento em 600 estabelecimentos escolares do ensino primário público, de seis províncias de Angola, concluiu que 45% dos alunos têm de defecar ao ar livre, seja junto à escola ou simplesmente no mato.

A análise, realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com o apoio da Direção Nacional do Ensino Geral, nas províncias de Luanda, Cunene, Bié, Huíla, Namibe e Huambo, visa, segundo os promotores, “abrir caminho a um debate” sobre o assunto e nomeadamente para a necessidade de um “planeamento e orçamento adequada para escolas primárias”.

As conclusões do estudo, realizado no âmbito do projeto “Escolas Amigas da Criança”, referem que o “saneamento débil” nas escolas primárias “deve-se principalmente a falta de financiamento”, demonstrando que a situação “deve merecer muita atenção das autoridades”.

Acrescentam que cada uma das escolas visitadas “carece” de um “ambiente higiénico sanitário favorável”, dando como exemplo a média de acesso pelos alunos a casas de banho, que se cifra em 58%. Destes, 29% usam apenas latrinas, mas a prática de defecação ao ar livre é “habitual” para cerca de 45%. E nestas situações, 44% dos estudantes do ensino primário abrangidos pelo estudo “defecam ao lado da escola”, enquanto 45% o fazem no mato.

As conclusões do estudo referem ainda que, em média, cerca de 310 alunos partilham um cubículo, transformando-se este “num factor inibidor para o acesso aos quartos de banho ou latrinas”.

Apenas 35% das escolas tem água potável

O acesso a água potável é outro factor crítico da análise, já que apenas 35% das escolas tem água para beber disponível e 62% não possuem qualquer fonte adstrita. Comparativamente ao tratamento, 24% das escolas inquiridas responderam que davam algum tratamento a água para consumo, enquanto os restantes 76% não tratavam a água, mas os diretores admitiam “problemas de saúde com os alunos”.

Estes números, segundo as conclusões do estudo, “demonstram que as escolas podem ser um espaço pouco favorável para a promoção da saúde das crianças”, tendo em conta que as doenças diarreicas, causadas na maior parte das vezes pela falta de saneamento e fraco acesso a água potável, “são responsáveis por 18% das mortes de menores de 05 anos, sendo muito comuns em crianças em idade escolar”.

A Unicef reconheceu, na altura, que a “falta de investimentos públicos”, quer ao nível das escolas, como das administrações municipais, “para que se possa manter as operações e a manutenção diariamente”, ajudam a explicar o “agravamento situação” em Angola.

“Algumas escolas do ensino primário carecem de adjudicação direta de fundos e estão impossibilitadas de fazer gastos constantes”, apontam as conclusões.

O documento recorda que diferentes estudos da Unicef e da Organização Mundial de Saúde (OMS) concluíram que a aposta na construção de instalações de água e saneamento nas escolas tem “um forte impacto positivo na redução dos riscos ocorrências de diarreias e outras doenças causadas pela falta de higiene”. Além disso, pode mesmo “influenciar o aumento de matrículas por parte das raparigas, bem como nas taxas de retenção e conclusão”.

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