
O Governo Provincial do Moxico prevê gastar 260 milhões de kwanzas na reabilitação da “Rotunda do Aeroporto”, nos arredores da cidade do Luena, com o objectivo de “melhorar a imagem da urbe”. A obra será executada pela construtora chinesa Jiangsu e tem conclusão prevista para cinco meses.
Embora o projeto prometa transformar a paisagem urbana com elementos decorativos africanos e um “gigantesco cesto” — símbolo cultural que inspira o nome da província —, a iniciativa levanta críticas em relação às prioridades do governo local.
Enquanto a rotunda avança, milhares de crianças no Moxico continuam fora do sistema de ensino devido à falta de escolas e infraestruturas básicas.
O investimento na imagem da cidade contrasta com a ausência de respostas para problemas estruturais que afetam diretamente a qualidade de vida e o desenvolvimento humano da população.
De acordo com Kissua Mbimbi de Morais, do Departamento do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística, a obra está inserida nos Serviços de Conservação e Manutenção Provincial e foi aprovada ontem, quarta-feira, 11, pelo Conselho de Auscultação das Comunidades.
O projecto poderá ter uma imagem transformada, com padrões decorativos típicos africanos no pavimento, colocação de um “gigantesco” cesto no centro da rotunda denominado “Muxiko” que originou a designação da actual província do Moxico, bem como contará com canteiros de flores.
Prevê-se que o novo visual do projecto seja um marco para o turismo local, por estar na porta de entrada e o primeiro contacto que os passageiros que desembarcam no Aeroporto “Comandante Dangereux” terão com a cidade do Luena.
Além da rotunda, o projecto vai contemplar os passeios da rua principal do aeroporto ao centro da cidade, com a colocação de passeios, lancil e iluminação pública.
No entanto, o anúncio gerou debate público, colocando em causa a pertinência de alocar milhões a uma rotunda enquanto as necessidades básicas, como educação e saúde, permanecem desatendidas.
Porém, a pergunta que ecoa entre os cidadãos é: “De que serve uma cidade bonita, se as suas crianças continuam sem salas de aula?”
O contraste entre o investimento na estética urbana e a falta de respostas para problemas sociais de base reforça a necessidade de uma reflexão crítica sobre as prioridades orçamentais no Moxico.