MPLA e autoridades tradicionais do Cubango em rota de colisão
MPLA e autoridades tradicionais do Cubango em rota de colisão
Carlos Cangandzi

A tensão entre o Comité Provincial do MPLA no Cubango e as autoridades tradicionais da região atingiu um novo ponto crítico, após a emissão de novas notificações dirigidas ao rei do povo Nganguela, Carlos Cangandzi “Mwene Mukuva V”, e a vários regedores municipais, na sequência de denúncias de alegada má gestão, nepotismo e estagnação económica sob a liderança do governador José Martins.

De acordo com informações recolhidas pelo Imparcial Press, a Comissão de Disciplina, Ética e Auditoria do MPLA notificou formalmente, a 10 de Outubro, os militantes Carlos Cangandzi e Augusto Miguel Ndala para prestarem declarações nas instalações do partido, em Menongue.

Fontes locais afirmam que esta segunda notificação surgiu depois de um encontro promovido pela Associação Nacional de Soberania Tradicional (INSTA), realizado a 1 de Outubro, onde os líderes comunitários denunciaram publicamente a ausência de resultados concretos na governação da província.

Desde então, o clima político em Menongue é descrito como tenso e carregado de intimidação, com as vozes críticas a acusarem o MPLA e o governo provincial de tentarem “calar o poder tradicional” que, segundo dizem, representa “a última linha de defesa do povo”.

As críticas dirigidas ao governador José Martins acentuam-se à medida que crescem os relatos de projetos paralisados, fundos públicos sem transparência e falta de diálogo com as comunidades locais.

“Eles não estão a inventar problemas. Falam da falta de medicamentos nos hospitais, das escolas que não funcionam, dos projectos que nunca saem do papel e do emprego dado apenas a familiares e amigos”, contou ao Imparcial Press uma fonte comunitária que pediu anonimato por receio de represálias.

Para muitos analistas, o confronto aberto entre o poder político e o poder tradicional revela a erosão da legitimidade do MPLA junto das comunidades rurais, historicamente consideradas bastiões de apoio ao partido.

“Ignorar as preocupações das autoridades tradicionais é um erro político grave. Elas são o elo directo entre o Estado e o cidadão comum. Tentar silenciá-las é enfraquecer a própria base social do poder”, comentou um sociólogo local.

Vale salientar que, não é a primeira vez que o Rei Mwene Mukuva V e os seus regedores entram em rota de colisão com o executivo provincial. A primeira notificação ocorrida há alguns meses já havia sido interpretada como um acto de perseguição política.

O reaparecimento do caso é agora visto como um sinal de intolerância crescente e de falta de abertura ao diálogo por parte das estruturas locais do MPLA.

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