MPLA prepara Júlia Ferreira para liderar a Comissão Nacional Eleitoral
MPLA prepara Júlia Ferreira para liderar a Comissão Nacional Eleitoral
Júlia Ferreira

A nomeação de Júlia de Fátima Leite da Silva Ferreira como juíza conselheira do Tribunal Supremo abre caminho para a sua ascensão à presidência da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), numa escolha impulsionada pelo MPLA, que procura reforçar o controlo sobre o órgão responsável pela organização das eleições gerais de 2027.

A decisão surge após circular, em backstage, informações sobre a possível saída de Manuel Pereira da Silva “Manico”, que foi reconduzido à presidência da CNE, como havia noticiado em primeira-mão o Imparcial Press aqui: Manico a um passo de regressar à presidência da CNE por mais cinco anos.

A recondução de Manico é contestada judicialmente pela UNITA por alegada falta de idoneidade, foi escolhido a dedo, esta semana, para ser juiz conselheiro do Tribunal Supremo por Joel Leonardo, presidente daquela corte e do Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ), que dirige o concurso considerado decisivo para reorganizar a liderança da CNE.

O afastamento de “Manico” abre espaço para a entrada de Júlia Ferreira, figura com longa ligação ao MPLA. Enquanto porta-voz da CNE, foi acusada pela oposição de anunciar resultados eleitorais que favoreceram a vitória do partido no poder.

A sua proposta como sucessora surge directamente apoiada pelo Presidente da República, João Lourenço, num momento em que o MPLA enfrenta forte desgaste político e social, e crescente impopularidade com vista às eleições de 2027.

Jurista de formação, Júlia Ferreira foi juíza conselheira do Tribunal Constitucional entre 2017 e 2024. Para assegurar os requisitos formais necessários à candidatura, foi integrada esta semana no Tribunal Supremo como juíza conselheira, na qualidade de jurista de mérito, ao lado de Hermenegildo Osaias Fernando Cachimbombo, antigo dirigente da Ordem dos Advogados de Angola.

Assim que tomar posse no Supremo, Júlia estará apta a concorrer à presidência da CNE. Fontes judiciais alertam, porém, que o processo em curso, conduzido pelo CSMJ, poderá configurar apenas uma formalidade para legitimar a escolha política já feita pelo MPLA.

Com esta estratégia, o partido no poder procura assegurar o controlo sobre a CNE num ciclo em que, pela primeira vez em décadas, risca perder a maioria absoluta, fruto do descontentamento popular e da erosão da liderança de João Lourenço.

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