
O Movimento do Protectorado Português da Lunda Tchokwe (MPPLT) realizou, de 8 a 9 de setembro, em Luanda, a sua I Convenção Extraordinária, sob o lema “Um chamado à Acção pela Autonomia da Nação Lunda Tchokwe”.
O encontro reuniu delegados das províncias do Cuando, Cubango, Moxico, Lunda Sul, Lunda Norte, além de representantes de Luanda, autoridades tradicionais, líderes religiosos e convidados especiais.
No final dos trabalhos, o movimento aprovou uma resolução que reafirma a defesa da autonomia da Lunda Tchokwe, apelando ao reconhecimento nacional e internacional dos direitos territoriais, culturais e políticos do povo Lunda.
Os delegados destacaram as contradições que marcam a realidade da região, rica em diamantes e recursos agrícolas, mas onde a maioria da população vive em condições de pobreza extrema.
O documento final, enviado à redacção do Imparcial Press, aponta para problemas como o desemprego de cerca de 80% da população activa, a carência de serviços básicos de saúde e educação, a falta de investimento sustentável e a repressão contra ativistas e violações de direitos humanos.
Segundo o MPPLT, mais de 200 ativistas continuam presos de forma “arbitrária”, após manifestações e protestos pacíficos reprimidos pelas autoridades.
A convenção também serviu para reorganizar a estrutura interna do movimento, fragilizada pelas perseguições políticas e pelo massacre de Cafunfo, em 2021, que resultou em mortes e prisões de manifestantes.
Um dos pontos altos foi a eleição de Alberto Kupumbu como vice-presidente efetivo do movimento, após ter exercido a função interinamente.
O encontro sublinhou ainda a importância de alianças com organizações nacionais e internacionais, com vista a pressionar o Governo angolano e dar maior visibilidade à causa da autonomia.
Apesar das críticas, os delegados defenderam a via do diálogo com as autoridades como instrumento essencial para alcançar soluções políticas, sociais e económicas duradouras.
O MPPLT apelou à ONU, União Africana, SADC, União Europeia, Estados Unidos, Santa Sé e ao Governo português para reconhecerem a legitimidade da luta pela autonomia da Lunda Tchokwe.
“Pedimos autonomia, o reconhecimento dos nossos direitos territoriais, a proteção da nossa cultura e a participação efetiva nos processos de decisão que afetam as nossas comunidades”, lê-se na resolução final.
A I Convenção Extraordinária encerrou com a aprovação unânime da resolução pela autonomia da Lunda Tchokwe, que será agora apresentada às autoridades nacionais e organismos internacionais.