
O surto de cólera na província do Bengo já causou 10 mortes na comuna do Zala, município de Nambuangongo, do total de 20 casos diagnosticados nos últimos dias. Actualmente, foram confirmados oficialmente cerca de 2.591 casos no país.
A situação é considerada alarmante, especialmente porque as vítimas são, na sua maioria, garimpeiros de ouro provenientes de diferentes regiões do país, que se encontram na zona de exploração artesanal.
Diante da gravidade da situação, a governadora provincial do Bengo, Maria Antónia Nelumba, deslocou-se, sexta-feira, a Nambuangongo para avaliar o impacto do surto e reforçar as medidas de prevenção.
A governante sublinhou a necessidade de conter a propagação da doença, já que algumas das pessoas infetadas estão a deslocar-se das áreas de garimpo para as comunidades vizinhas, aumentando o risco de disseminação.
“A situação é preocupante porque na comuna do Zala, onde há intensa atividade de garimpo de ouro, já registámos casos de cólera em pessoas que saíram dessas zonas e tiveram contacto com as comunidades. Já morreram algumas pessoas e queremos evitar que a contaminação se alastre”, afirmou a governadora.
As autoridades sanitárias locais confirmaram que muitas das vítimas foram encontradas sem vida pelo caminho, uma vez que as áreas de garimpo são remotas e os trabalhadores evitam as vias principais com receio de serem detidos pelas autoridades.
Para conter o surto, estão a ser mobilizados Agentes de Desenvolvimento Comunitário (ADECOs), que têm a missão de ensinar as comunidades a tratar a água para consumo e a preparar soro de reidratação oral. Além disso, elementos das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional foram destacados para auxiliar nas zonas de difícil acesso.
Maria Nelumba apontou ainda a deficiência no abastecimento de água potável como um dos principais factores para o aumento dos casos de cólera no Bengo.
Segundo a governadora, grande parte da população ainda depende de cacimbas e rios para obter água, o que facilita a propagação da doença.
O governo provincial tem tentado mitigar o problema, contando atualmente com nove camiões-cisterna para distribuir água em Panguila, Sarico, Burgalheira, Paranhos, Libongos e Lifune, zonas onde a população depende essencialmente da água dos rios.