
O volume de negociações na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) registou uma queda de 5% em 2025, totalizando 5,7 biliões de kwanzas, equivalentes a cerca de 6,3 mil milhões de dólares à taxa de câmbio média do Banco Nacional de Angola (BNA).
A diminuição resulta sobretudo da quebra nas transacções de instrumentos de dívida pública, que continuam a dominar o mercado.
De acordo com cálculos do jornal Expansão, com base nos relatórios da bolsa angolana, o volume total negociado recuou em 326,3 mil milhões de kwanzas face a 2024, marcando o segundo ano consecutivo de queda.
Os instrumentos de dívida pública – nomeadamente Obrigações e Bilhetes do Tesouro – representaram 98,5% de todo o valor transaccionado em 2025. Ainda assim, registaram uma diminuição de 7%, fixando-se em cerca de 5,6 biliões de kwanzas.
A contracção foi particularmente influenciada pelo fraco desempenho do mercado de Repos (acordos de recompra), cujo volume negociado caiu 30,5%.
Estes instrumentos, introduzidos em 2022, permitem aos investidores trocar activos com a possibilidade de recompra futura, funcionando como um mecanismo para transformar títulos de dívida pública em liquidez de curto prazo sem abdicar da rentabilidade futura.
Do ponto de vista macroeconómico, o volume total negociado na BODIVA correspondeu a cerca de 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nominal, abaixo dos 5,9% registados em 2024.
Segundo o economista-chefe da Eaglestone, Tiago Dionísio, este desempenho revela limitações estruturais do mercado de capitais nacional.
“Este decréscimo evidencia a persistente e reduzida profundidade do mercado de capitais angolano e sugere que a actividade do mercado não acompanhou o ritmo da expansão económica global”, refere o especialista num relatório sobre o sector.
Apesar da redução no volume financeiro negociado, 2025 ficou marcado por um recorde no número de transacções. A BODIVA contabilizou 37.158 negócios, um aumento de 260% em relação a 2024 — mais do triplo do registado no ano anterior.
O crescimento do número de operações contrasta com a redução do valor movimentado, demonstrando que a bolsa angolana registou maior dinamismo em termos de transacções, embora com montantes médios mais baixos.
Mercado de acções lidera crescimento
O maior destaque do ano foi o desempenho do mercado accionista. As cinco empresas cotadas – Banco Angolano de Investimentos (BAI), Banco de Fomento Angola (BFA), Banco Caixa Geral Angola (BCGA), ENSA – Seguros de Angola e a própria Bolsa de Dívida e Valores de Angola – movimentaram cerca de 84 mil milhões de kwanzas entre Janeiro e Dezembro de 2025.
Trata-se do valor mais elevado de sempre no mercado accionista da bolsa angolana, representando um crescimento de 1.882% face aos 4,2 mil milhões de kwanzas registados em 2024.
O salto foi impulsionado principalmente pela oferta pública inicial de acções do Banco de Fomento Angola, realizada em Setembro de 2025 no âmbito do PROPRIV – Programa de Privatizações de Angola.
A operação colocou à venda 29,75% do capital do banco e provocou um forte aumento das negociações, sobretudo no quarto trimestre, período em que ocorreram mais de 95% das transacções.
No total, foram negociadas 982.304 acções das cinco empresas cotadas, um aumento de cinco vezes face ao ano anterior.
O BFA liderou amplamente as operações, representando 64% do volume de títulos transaccionados e 88,6% do valor financeiro negociado.
Apesar do crescimento expressivo, o mercado accionista continua a ter um peso reduzido na bolsa angolana, representando apenas 1,5% do valor total negociado.
Entre os factores que limitam a expansão deste segmento estão o reduzido número de investidores nacionais, a ausência de grandes investidores institucionais estrangeiros e o baixo nível de literacia financeira no país, que continua a travar o desenvolvimento mais acelerado do mercado de capitais.