Noé Mateus diz estar a ser perseguido e ameaçado de morte por membros da comunidade muçulmana em Angola
Noé Mateus diz estar a ser perseguido e ameaçado de morte por membros da comunidade muçulmana em Angola
noe mateus

O pastor e activista social Noé Francisco Dias Mateus, dirigente da Igreja ADPMSCM – Casa de Oração e fundador da associação “Amigos da Vida”, denunciou alegadas perseguições e ameaças de morte, que diz sofrer há quatro anos, por ter denunciado, desde 2021, supostos abusos contra crianças envolvendo membros da comunidade muçulmana em Angola.

Em declarações enviadas ao Imparcial Press, o religioso afirma que as intimidações começaram após a sua associação ter apresentado denúncias públicas sobre práticas que considerou lesivas aos direitos das crianças.

“Temos sido fortemente atacados por pessoas e instituições que, segundo informações de que dispomos, recebem recompensas para nos silenciar. As perseguições já duram quase quatro anos”, afirmou o pastor, garantindo que a sua luta “não é contra qualquer religião”, mas contra “crimes cometidos contra crianças em ambientes religiosos, sejam cristãos ou islâmicos”.

O activista relata ainda que, durante uma viagem a Kampala, Uganda, foi “seguido e feito refém” por indivíduos que identifica como “muçulmanos de diferentes nacionalidades”.

Alega também que tem recebido ameaças constantes e que várias instituições públicas e privadas foram “influenciadas por informações falsas” para isolar a sua actividade social.

“Vivo em constante risco de vida. Fui perseguido simplesmente por defender crianças. Denunciei casos em comunidades cristãs e nunca sofri perseguição. Mas quando envolvi a comunidade muçulmana, tudo mudou”, disse.

O líder religioso expressou preocupação com o que considera “um processo de infiltração de elementos radicais” em sectores sensíveis do Estado, como justiça, juventude, polícia e forças armadas, alertando para os riscos de intolerância religiosa.

A associação “Amigos da Vida”, fundada por Noé Mateus, tem como missão promover os direitos da criança e denunciar casos de violência e abuso em diferentes contextos.

O Imparcial Press tentou obter uma reacção junto da comunidade islâmica em Angola, mas não foi possível. As autoridades nacionais também não se pronunciaram sobre as alegações do pastor.

Entretanto, observadores lembram que Angola tem, nos últimos anos, enfrentado desafios relacionados à regulação das práticas religiosas e ao reconhecimento legal de confissões de fé, num contexto onde o Islão ainda não é oficialmente reconhecido como religião no país.

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