
O secretário-geral da Assembleia Nacional, Pedro Agostinho de Neri, conferiu posse, esta segunda-feira, 17, em Luanda, a Cardoso Pombolo, que passa a exercer, em comissão de serviço, o cargo de secretário do Gabinete Provincial da Assembleia Nacional no Bengo.
A nomeação não tardou a levantar “sobrancelhas”, uma vez que o novo secretário é irmão de Paulo Pombolo, secretário-geral do MPLA.
Embora se desconheça se a escolha foi motivada pela competência ou “cunha”, a coincidência não passou despercebida nos bastidores da política angolana.
No seu discurso, Agostinho de Neri garantiu que a nomeação se deve exclusivamente ao mérito do recém-empossado e expressou confiança de que este trará valor não apenas ao Bengo, mas também à própria Assembleia Nacional. “É um reforço importante para a nossa missão”, sublinhou.
O responsável alertou ainda para a necessidade de uma boa relação com os colaboradores directos e indirectos. “Vai para uma província com desafios específicos, nomeadamente no que toca à interação entre chefias e funcionários de base. É fundamental fomentar relações humanas saudáveis”, aconselhou.
Por outro lado, fez um apelo à disciplina, ao respeito institucional e à distinção entre “ser e estar”, num subtil aviso para que a nova posição seja encarada com responsabilidade e não apenas como um posto de prestígio.
Já Cardoso Pombolo, no seu discurso de posse, garantiu que abraça a oportunidade com “duas mãos” e comprometeu-se a desempenhar a função com “zelo e brio”, garantindo que está pronto para seguir para o Bengo e contar com o apoio dos colegas da província.
Assim, entre mérito e “cunha” política, a nomeação de Cardoso Pombolo reforça o tradicional nepotismo que parece continuar a marcar o cenário político angolano.