
Quase dois meses após a conclusão do 21.° Curso Básico de Polícia e 7.° de Especialização em Guarda Fronteiras, os novos efectivos da Polícia de Guarda Fronteiras (PGF) denunciam estar sem salários, subsídios ou qualquer tipo de apoio institucional, vivendo “ao abandono” desde o término da formação no Centro de Formação e Treinamento Mártires da Môngua, na província do Bengo.
Os agentes, provenientes das Forças Armadas Angolanas (FAA) e agora integrados na Polícia Nacional de Angola (PNA), afirmam ter completado cinco meses de formação sem qualquer subsídio e que, desde o encerramento oficial do curso, a 15 de Setembro, não receberam qualquer orientação concreta sobre o início das suas funções ou pagamento dos vencimentos.
“Faz dois meses que terminámos a formação. Não há salários, não há nada. Temos compromisso com a pátria, mas antes disso somos pais de família. A fome aperta, as dívidas crescem e o órgão competente nada diz”, desabafou ao Imparcial Press um dos formandos, sob anonimato, por receio de represálias.
Segundo os relatos recolhidos, não existe um canal formal de representação sindical para a classe, o que agrava o sentimento de desamparo.
“Estamos às escuras. Apenas nos orientam a aguardar. Mas até quando?”, questiona outro efectivo.
De realçar que, durante o acto de encerramento do curso, o 2.º Comandante-Geral da PNA, comissário-chefe Domingos Ferreira de Andrade, sublinhou a importância estratégica da PGF, destacando que “ser agente da PNA é actuar com base no respeito pelos princípios, normas e procedimentos técnico-operacionais adequados à missão policial”.
O oficial referiu ainda que a protecção das fronteiras nacionais é “uma prioridade do Estado”, cabendo à PGF o controlo e vigilância das zonas limítrofes, o combate ao contrabando, tráfico de drogas, de pessoas e exploração ilícita de recursos.
No entanto, na prática, os novos efectivos dizem sentir-se “esquecidos”, sem meios de subsistência ou esclarecimentos sobre a sua efectiva colocação nas unidades fronteiriças.
“Prometeram-nos integração imediata, mas o tempo passa e continuamos sem salários e sem dignidade”, lamentou outro agente.
O silêncio do comandante nacional da Polícia de Guarda Fronteiras, comissário-chefe José Domingos Moniz, tem gerado frustração e desmotivação entre os formados, que afirmam continuar fiéis ao juramento de “servir com honra e lealdade”, mas pedem que o Estado “cumpra também o seu compromisso”.