“Nunca estive em negociações com o Petro. Creio que chegou o momento de seguir em frente” – Carlos Morais
"Nunca estive em negociações com o Petro. Creio que chegou o momento de seguir em frente" - Carlos Morais
carlos morais

O basquetebolista Carlos Edilson Alcântara Morais, de 39 anos e 1,92 metros, reagiu às declarações do presidente de direcção do Petro de Luanda, Tomás Faria, na entrevista concedida à Rádio 5, que o coloca à disposição da agremiação.

O extremo-base abriu o livro, onde inscreve algumas tristezas à saída da antiga equipa e garantiu que nunca houve negociações entre as partes.

Carlos Morais lamenta a forma como o processo de despedimento foi conduzido por reconhecer que a formação como homem e todo o património material que dispõe se deve ao clube do Eixo-Viário, onde está cravada as primeiras lições do processo de formação.

“Chorámos e festejámos juntos muitas vezes, mas passados 22 anos a vestir o azul e amarelo, esperei que me fosse dado ao menos um muito obrigado por tudo que conquistei e ajudei a conquistar com o clube do meu coração. Ainda assim, sou grato por tudo e irei enaltecer sempre o clube que me formou”, descreveu deste modo o seu estado emocional em entrevista ao Jornal de Angola.

O atleta formado no Petro de Luanda e a jogar basquetebol há mais de 22 anos é um dos melhores atletas.

Recentemente, o presidente Tomás Faria deu uma entrevista à Rádio Cinco chegando a garantir que a direcção e a equipa técnica conta contigo para a presente época. Essa afirmação é verdadeira?
A única coisa que posso dizer relativamente a isso, é que nunca me foi feita nenhuma proposta para continuar a representar o Petro de Luanda esta época. Muito pelo contrário, mostrei a minha disponibilidade e desejo de continuar na equipa. Mas não fui opção para a presente temporada! Após a Taça Intercontinental, numa das minhas tentativas de voltar a representar o clube, onde cresci e me fiz jogador, o treinador pediu-me para aguardar dois meses enquanto avaliava outros jogadores mais jovens para saber se conseguiria encaixar-me ou não. Isso durante o campeonato provincial de Luanda. O certo é que mais nada ouvi até ao momento.

Qual foi a garantia que recebeu do presidente Tomás Faria?
Falei com o presidente Tomás Faria, alguém por quem tenho muito respeito e consideração no mês de Outubro. Entre outros assuntos, disse-me que as portas do clube estariam abertas para mim, quando terminasse a minha carreira. Quanto à direcção do clube, não posso afirmar nada. Agradeço o esforço de um antigo membro do Petro, da direcção por me ter feito acreditar que tudo se resolveria. Pessoa essa que foi a única a questionar-me a meio da época sobre o que queria fazer no futuro e a possibilidade de renovar o contrato, uma vez que era a minha última época de contrato.

No final da época, qual foi a conversa que teve com o técnico Sérgio Moreno?
Quando terminou a época passada, não tivemos nenhuma conversa com relação ao futuro. Seguimos caminhos diferentes, logo após o término da BAL. Tenho muito respeito pelo actual treinador por me ter dito na cara e sem problema algum que não sabia como me encaixar na equipa. Que na sua óptica havia ou há jovens à frente de mim e que seria muito difícil encaixar-me. Além de que não saberia como justificar ao presidente Tomás Faria e aos demais atletas o porquê da minha integração tardia no plantel, visto que a época já havia começado.

Fala-se que o treinador Sérgio Moreno chegou a garantir-vos que não teria o mesmo tempo de jogo, caso ficasse na equipa em função da sua idade e os números produzidos na época passada. Será esta a razão que o faz não renovar o contrato?
Nunca tive qualquer conversa com o treinador relativamente ao tempo de jogo ou qualquer assunto relacionado. Sobre os números da época passada, creio que existem estatísticas que possam ilustrar a minha prestação durante toda a época desportiva. Pois, espero não ter sido avaliado apenas pela pouca prestação na final da BAL.

Também se aventou a hipótese de abraçar um cargo directivo no clube, algo que também foi descartado por si. Confirma esta informação?
Realmente, tomei conhecimento desta possibilidade numa entrevista dada pelo presidente do clube a uma rádio, creio. Depois de um tempo, enquanto falávamos sobre outros assuntos, o presidente mencionou sim, que o clube tinha as portas abertas para mim para um cargo directivo, mas nunca houve uma proposta ou convite formal.

Sempre houve negociações com o Petro de Luanda?
Não. Nunca estive em negociações com o Petro. O que se ouve nos bastidores é puramente falso. Eu e o clube nunca estivemos em negociações.

Vai renovar o contrato com a sua antiga equipa ou vai assinar com outra formação?
Não havendo até ao momento negociação nem interesse, é pouco provável que renove o contrato. A verdade é que sempre estive disponível para continuar a representar o meu clube do coração.

Aguardava por um tratamento diferente da direcção e da equipa técnica, em função de tudo o que deu ao clube ao longo dos anos de actividade?
Compreendo o profissionalismo no Desporto. As equipas lutam para ter os melhores plantéis e alcançar objectivos. Os atletas em muitas situações tornam-se descartáveis em função dos interesses das equipas. Eu percebo isso. É assim em muitos sítios. Tenho respeito pelo treinador Sérgio por me ter mostrado a sua posição sem muitos rodeios. Conversámos algumas vezes e foi incisivo na sua decisão. Eu respeito.

Quando vai definir o seu futuro?
Espero que isso aconteça em breve. Deixei passar algumas oportunidades que poderiam ser muito boas para mim e para a minha família. Creio que chegou o momento de seguir em frente.

Existem clubes interessados nos vossos préstimos? Quais são?
Graças a Deus, sim. Desde que me tornei disponível, apareceram várias oportunidades. A partir de hoje, começo a analisar todas elas e, nos próximos dias, vou decidir o meu futuro que possivelmente não vai passar pelo Petro de Luanda.

É considerado por muitos a “lenda viva do basquetebol angolano da actualidade”. Muitos dos seus fãs gostariam de lhe ver encerrar a carreira no clube onde começou. Isso passa pela tua cabeça?
Sempre foi esse o plano. Sempre foi este o sonho, mas, infelizmente, nem tudo depende somente do nosso desejo e objectivo.

Estamos no ano do Afrobasket. Está disponível para representar a Selecção Nacional em casa, caso fosse chamado?
Com toda a certeza. Representar a Selecção Nacional é e sempre foi uma honra para mim. Se tivesse essa possibilidade, com certeza, aceitaria. Aliás, sou o único atleta da minha geração que ainda está em pleno exercício.

O seu afastamento da selecção teve a ver com algumas cartas que remeteu à direcção da FAB a mostrar a disponibilidade ou sente que houve má fé?
Honestamente, não sei de concreto o que se terá passado. Estive indisponível por lesão a duas janelas de apuramento e, da minha parte, foi só isso nada mais.

Qual é a sua relação com Pep Clarós e o presidente Moniz Silva?
Profissional. São dois profissionais da modalidade que têm objectivo igual ao meu. Ganhar sempre que possível.

Qual é a vossa relação com os jogadores da nova e antiga geração?
Uma relação normal e saudável, sobretudo, com os mais jovens. Alguns me pedem conselhos ou dicas sobre basquetebol. De modo geral, sempre me mostrei disponível para aconselhar e ajudar naquilo que for possível.

Como avalia o técnico Sergio Moreno?
Um treinador com muita experiência. Já conquistou várias coisas no basquetebol. E com certeza, dá qualidade ao basquetebol nacional. Convivi muito pouco tempo com ele para o poder conhecer na íntegra, mas é um bom treinador.

Por quanto tempo pretende continuar a jogar?
Não sei. Sinto-me bem para continuar a jogar, apesar de saber que já não será por muito mais tempo. Contudo, ainda sinto que posso dar algum contributo a qualquer equipa em que venha a jogar.

O Petro deve-lhe algum prémio ou tem todas as contas actualizadas?
Existem ainda alguns pendentes por se regularizar, mas o Petro Atlético de Luanda é o clube que sempre honra com os seus compromissos, por isso, estou descansado quanto a isso. Acredito que mais cedo ou mais tarde, as dívidas serão sanadas.

Que sentimento mexe contigo nesta altura em relação à direcção?
Comecei a jogar basquetebol com 12 anos no Petro Atlético de Luanda, muito jovem e sem saber nada sobre a vida desportiva. Rapidamente, apaixonei-me pelo clube e pela ideia de nunca representar nenhuma outra agremiação. Hoje, sou um homem e muito do que sou e tenho, também, devo ao clube, sobretudo, pela formação que lá tive, não só como atleta, mas como homem. Chorámos e festejámos juntos muitas vezes, mas passados 22 anos a vestir o azul e amarelo, esperei que me fosse dado ao menos um muito obrigado por tudo que conquistei e ajudei a conquistar com o clube do meu coração. Ainda assim, sou grato por tudo e irei enaltecer sempre o clube que me formou.

in JA

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