O caminho da exclusão não é o melhor – Serafim Simeão
O caminho da exclusão não é o melhor - Serafim Simeão
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No dia 04, quando o mestre de cerimónias (MC) chamava nomes como, por exemplo, o de Maria Eugénia Neto (ausente, supostamente, por solidariedade ao seu genro preso, que teve o azar de servir como exemplo, entre outros, da luta contra a corrupção), Rubem Sicato, Lucas Ngonda, Ngola Kabango ou Ernesto Mulato – todos ainda em vida – e, em solidariedade aos nacionalistas excluídos acima, abrilhantavam a sala VIP do hotel Intercontinental (palco da homenagem), ficava num silêncio total.

Felizmente, para boa manifestação sem barulho, não houve sincronização entre o pessoal do protocolo, que tinha o dever de reconfirmar ao mestre de cerimónias a presença de todos os que constavam da lista de galardoados (cerca de 247).

Assim, o Chefe de Estado não teria passado por tamanha vergonha e humilhação, em pé, à espera, enquanto cerca de 20 galardoados não se levantavam ao serem chamados pelo MC – nem sequer representantes seus. Coisas que aconteceram ao vivo, mas que a imprensa não transmitiu.

A vergonha, naturalmente, tinha rosto e identidade. E nós, cerca de 250 pessoas na sala – entre o seu aparelho governativo, segurança e a comunidade internacional – assistíamos, sentados, ao Presidente da República sem resposta aos cerca de 20 nomes chamados.

O caminho da exclusão não é o melhor. Temos provas disso todos os dias. Aliás, a luta, há 50 anos entre nós, angolanos, tem como verdadeiro motivo a exclusão.

Não sei como o Presidente da República se desviou do caminho que parecia trilhar. Quando chegou ao poder, deu sinais claros de querer promover a reconciliação nacional, tendo libertado as ossadas do Dr. Jonas Savimbi e garantido, para a família e para uma parte dos angolanos, um enterro condigno.

Chegou ao ponto, nos últimos meses de 2024, de autorizar – porque é assim que funcionam, mesmo quando se cumpre a lei – a instituição da Fundação Jonas Savimbi.

Para nós, o povo, esses eram sinais de que o Presidente, pelo menos, deixaria um legado de aprofundamento da reconciliação nacional.

Ledo engano. Não sei de onde veio o descaminho, mas Jonas Savimbi e Holden Roberto eram os excluídos do dia 04 de Abril, entre os nomeados.

Outra situação que me admirou e confundiu foi ver Alexandre Sebastião André (presidente do PADDA) na lista de galardoados. Nesta senda, a título póstumo, só faltou o nome de Quintino Moreira, que também foi seu comparsa ao prestar mau serviço aos angolanos.

Voltando à vaca fria, no final da cerimónia, não sei sob que orientação, a bela voz da apresentadora Dinamene Cruz anunciava que a segunda fase da condecoração há de acontecer antes do dia 11 de Novembro.

Isso fez-me acreditar que, se o Presidente se reencontrar ou tiver bons conselhos, há de condecorar condignamente os velhos Jonas e Holden.

João Lourenço, nosso Presidente, não tem outro caminho senão o de o fazer. Ou seja, ainda no seu tempo, influenciar quem resiste ou convencer-se a si mesmo a condecorar os dois símbolos nacionalistas que foram excluídos nesta primeira fase.

*Secretário provincial do PRA-JA – Servir Angola em Luanda

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