O fim último da política – Filipe Cahungo
O fim último da política – Filipe Cahungo
Filipe

A ciência política foi concebida pelos gregos como a arte de administrar a coisa pública, com o propósito à satisfação do bem comum. Com os modernos a partir de Maquiavel a política muda de eixo tornando-se na arte de administrar a coisa pública, porém, com o interesse a satisfação dos partidos políticos.

Para os gregos, a participação no debate público era feita de forma directa, para tal era preciso fazer o uso da retórica para se convencer mas à luz da verdade, era essa a concepção que Aristóteles tinha ao escrever a sua obra “A retórica”.

Foi Cícero que desviou o sentido ao definir a retórica como a arte de convencer, somente convencer pela palavra; aqui o autor do Príncipe afirma que os fins justificam os meios.

A participação directa no debate público na era moderna foi substituída pela representação dos Partidos. Inventou-se a ideia dos partidos políticos como os legítimos representantes das vontades populares, assim os cidadãos deixaram de participar de forma directa na vida da coisa pública em representação dos partidos.

Cada cidadão passou a ser representado por um partido político, ser neutro passou a significar não ser representado, mas a engenheira política moderna inventou o conceito de sociedade civil como aquela ala que não se vê representada por nenhum partido político tendo como maior interesse a defesa do bem comum porque, o maior interesse dos partidos políticos é o poder pelo poder e a sua manutenção.

Uma coisa não podemos deixar pensar, nessa busca ávida pelo poder, diversos partidos perdem o verdadeiro propósito pelo qual foram criados que é a satisfação da vida em comunidade através do bem comum ora, são meros instrumentos ou meios para a realização do bem comum.

Mas quando se perde o foco cai-se numa confusão onde não se consegue distinguir o interesse partidário que é o menor interesse com o interesse nacional, que é o interesse maior pelo qual todos buscam.

Portanto, pertencer a um partido que está no poder não significa ser mais importante ou ser o melhor, deve ser compreendida como uma vocação ao trabalho e ao serviço do bem comum. E o quê significa ser vocacionado ao serviço do bem comum? Significa ser cavalheiro na administração da res pública.

Todos nós estamos lembrados da figura de cavalheiro; o cavalheiro é aquele que cuida da sua amada de forma muito amável, colocando-se em plena disponibilidade da pessoa amada, é exatamente nessa figura que se deve transformar todo partido que esteja a governar e, governar não significa dar vantagem aos membros do seu partido, é ser capaz de providenciar a realização de todos é também saber administrar a diferença/alteridade, destacando aquilo que nos torna num só povo e numa só nação como consta de um dos refrãos do Hino Nacional.

A maior crise do século XXI, tem sido a insuficiência de certos Partidos políticos em administrar o bem comum, lançando o povo na miséria extrema; no caso particular de Angola o que se vive é a institucionalização da miséria como apelaram os bispos da CEAST.

Isso nos remete a seguinte questão: então que significa governar nos dias de hoje? A essa pergunta só podemos dizer que alguns entenderam que significa enriquecer alguns (minoria) e empobrecer a maioria, pois os supostos representantes legais do povo “os deputados” desfilam com os seus carros de luxos comprados com o dinheiro desse povo que só quer que nunca falte comida na sua mesa e ter a esperança de sonhar e acreditar num amanhã melhor para seus filhos.

Aos representantes do povo que estão a reboque dos partidos que em determinadas circunstâncias defraudam a vontade do povo, esse povo que só quer paz, justiça, uma vida melhor e viver com dignidade.

Uma coisa não nos esqueçamos, os partidos deixam de existir, mas o povo permanece. É neste sentido fulcral relembrar que na linha do tempo o fim último da Política consiste em gerir de forma racional o bem comum para que se atenha a felicidade colectiva.

*Filósofo e professor

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