O legado do general Alfredo Kussumua, herói da resistência armada no Bié
O legado do general Alfredo Kussumua, herói da resistência armada no Bié
gen kussumua

O dia 2 de Setembro permanece marcado na história de Angola e, em particular, do Bié, como a data da morte em combate do destemido general Alfredo Kussumua.

Tornou-se o rosto firme e incansável da maior resistência armada pós-eleições de 1992, no coração da província do Bié.

As suas palavras ecoam ainda entre as montanhas e planícies angolanas: “Não existe recuo possível! Em prol das populações, resistiremos até às últimas consequências, até ao último soldado. O Bié não será tomado nem por cima do meu cadáver.”

E assim foi. Onde muitos vacilaram, ele permaneceu. Onde a esperança parecia perder-se, transformou a resistência numa semente de honra e sacrifício.

A resistência que hoje se celebra e da qual muitos se orgulham foi, em grande parte, fruto da sua determinação.

General Kussumua poderia ter optado por abandonar o campo de batalha, tal como outros, mas não o fez. Como comandante, sabia que teria a possibilidade de se salvar; ainda assim, escolheu permanecer com as suas tropas. Dessa decisão nasceram vidas preservadas e uma herança de coragem.

O general Alfredo Kussumua partiu aos 35 anos, sem tempo de alcançar os mais altos postos das Forças Armadas Angolanas. No entanto, a sua trajectória, feita de bravura e dedicação, apontava para os patamares mais elevados da hierarquia militar, como Comandante do Exército ou Chefe do Estado-Maior General. A sua morte não apagou o brilho do seu percurso; antes, eternizou-o.

A sua jornada militar começou muito jovem, destacando-se na recruta de 1974/75, no CIR do Kwanza Sul. Tal foi o seu desempenho que, com apenas 18 anos, foi convidado pela direcção da Escola para assumir funções de instrutor, moldando com firmeza muitos daqueles que mais tarde se tornariam oficiais-generais e comissários.

Em 1977, integrou o Segundo Curso de Oficiais no Huambo, na histórica Escola Nicolau Gomes Spencer. No final da década, em 1978/79, foi chamado pelo General Ndalo para participar na reestruturação do Regimento Presidencial, assumindo o cargo de Chefe de Operações do Primeiro Batalhão de Infantaria Motorizada, numa idade ainda muito precoce para tal responsabilidade.

Homem de acção e de visão, formou-se como Comando Especial em desembarque e assalto, reunindo técnica apurada e uma coragem natural que inspirava os seus subordinados.

O seu percurso foi marcado por cargos de elevada responsabilidade:

  • Comandante da 54ª Brigada da 9ª Região Militar Especial;
  • Chefe do Estado-Maior do Regimento Presidencial;
  • Chefe da Missão Militar em São Tomé;
  • Chefe do Estado-Maior da 2ª Região Militar, acumulando funções como Comandante de Cabinda;
  • Chefe do Estado-Maior da Região Militar do Cuando Cubango;
  • Comandante da Região Militar do Cuando Cubango;
  • Comandante do COP Bié, onde a sua vida se extinguiu em combate, transformando-se em símbolo eterno.

Não é preciso recorrer à especulação para compreender o destino que o aguardava: a liderança suprema das Forças Armadas Angolanas. A sua vida foi uma marcha inevitável em direcção à mais alta responsabilidade militar do país.

Hoje, recordamos não apenas o militar, mas também o homem, o líder, o símbolo de uma luta conduzida com dignidade, honra e coragem. O General Alfredo Kussumua tombou com a farda manchada de sangue, fiel ao juramento de defender a Pátria até ao último fôlego.

Bem-haja, General Alfredo Kussumua.
Nosso comandante.
Nosso mártir.
Nosso eterno líder.
Angola deve-lhe honra e glória imortais.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido