O mau uso das redes sociais – Pedro de Castro Maria
O mau uso das redes sociais - Pedro de Castro Maria
Pedro de Castro Maria

Neste texto proponho-me a reflectir criticamente sobre os males que um dos fenómenos mais conhecidos e mais usados dos dias de hoje têm provocado, que são as redes sociais, concretamente o seu mau uso por parte de grande parte dos cidadãos, sobretudo os jovens.

Sendo apenas mais uma das muitas abordagens feitas em torno do assunto, a sua pertinência apenas vale por ser mais uma opinião expressa na esperança de que, mais um simples mortal alista-se ao exército do que se preocupam com os males que esta poderosa “arma tecnológica”, provoca, com efeitos múltiplos.

Marco a veemência da minha ao uso irresponsável, pouco pedagógico, sem o mínimo de noção dos perigos que as redes sociais podem provocar.

As redes sociais surgem num quadro da revolução operada no domínio das chamadas TIC’s (Tecnologias de Informação e Comunicação). Elas podem constituir-se numa grande ferramenta de trabalho, de estudo, de investigação científica, de disseminação da fé cristã e crenças em outras correntes religiosas, de promoção de negócios, de supressão de distâncias físicas, dentre outras valências.

O problema é que as evidências e muitos estudos, principalmente em sociedades que se prestam a analisar o fenómeno com pesquisas científicas, têm demonstrado que as redes sociais se constituem hoje em dia em grande perigo para os valores ético-morais, para os bons costumes, para a coesão familiar, para a sã convivência entre pessoas e até para a fé cristã.

Elas vieram ajudar a ruir a solidez das famílias; aumentar a promiscuidade sexual, a ideia do imediatismo, da vida fácil, da cultura da invasão da privacidade das pessoas, da intromissão nas vidas alheias, na disseminação das “fake news” (notícias falsas), sem a mínima preocupação de se procurar saber das fontes, provocando o boato, a calúnia, a maledicência, o pânico, o medo, a incerteza e o desrespeito à pessoas e instituições.

As redes sociais são uma potente droga dos nossos tempos. Inseridas na internet, que são praticamente “a terra de ninguém”, elas desvirtuam o sentido da vida, construindo a imagem de um mundo que nos pode afastar das nossas responsabilidades.

Há um caso recentemente ocorrido na província do Namibe, em que um adolescente de 16 anos, degolou (matou por asfixia), dois de seus sobrinhos, por crença em práticas satanistas aprendidas na rede social Facebook.

Há novas figuras, novos protagonistas, como por exemplo, os “digital influencers” (influenciadores digitais), que são seguidos por muitos dos nossos adultos, mas principalmente jovens, não porque sejam modelos de boas condutas, por aquilo que fazem ou dizem mas,de modo geral até agridem a moralidade pública, brigam em locais públicos, atacam figuras públicas, divulgam imagens de actos sexuais explícitos e, mesmo assim, apresentam-se ou são apresentadas como grandes atracções desses tempos.

O importante hoje é quem vai postar primeiro e quantos “likes” (gostos) se vai receber. Nesse contexto, o importante é ser notado e ser notado é fotografar, filmar e colocar nas redes sociais. Alguém está a ser agredido e a primiera acção das pessoas é filmar e postar e depois ver se dá para ajudar ou não.

Essa não deve ser a postura de um cidadão de bem, seja ele adulto, jovem, adolescente ou criança. Nessa nossa peregrinação na terra, devemos trabalhar para uma acção educativa enérgica, voltada aos valores que ajudem as velhas e novas gerações ao uso correcto e sábio das redes sociais.

Voltemos às refeições em família, à transmissão dos bons hábitos e costumes das nossas idiossincrasias culturais, de matriz bantu.Precisamos continuar a construir uma Angola de paz, de harmonia, de coesão social e desenvolvimento humano, onde todos tenham vez e voz. Tal objectivo só será plenamente alcançado se nossas acções se fundarem numa moralidade que atente para o respeito ao próximo, dentro de suas subjectividades, de suas opções de vida, de ser diferente.

*Sociólogo

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