
Quando, em 2009, chamei atenção que misturar eleições presidenciais com legislativas e dar aqueles poderes todos ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na Constituição, poderia, um dia vir a prejudicar o MPLA, muitos não entenderam.
Não vou aqui citar nomes de pessoas que acharam que eu devia “ser morto” por “crime de traição”. Ainda há gente no MPLA a pensar assim?
Olhem para o que se está a passa, agora! Digam-me, com toda a franqueza: é assim que querem um MPLA digerível pelo povo angolano, de Cabinda ao Cunene?
Então fico sem saber o que pensam e o que querem deste Povo e deste país.
Juízes do Tribunal Constitucional daquele tempo, que com a maior das facilidades consagraram tal Constituição da República e elevaram JES à categoria de Napoleão de Angola e o mesmo repetiram com João Lourenço, não estão arrependidos?
Com certeza que não estão contentes agora, com a forma como a Justiça é amordaçada e muitos de vós humilhados.
Contentes devem estar os juízes actuais e os futuros que já Lhe preparam o terceiro mandato. As humilhações virão depois, se nessa altura ainda tivermos Estado moderno.
Admira-me que alguns venham dizer, neste momento, que a oposição é culpada. Claro que ela agora tem de rever a sua estratégia se quiser contribuir, pacificamente, para a salvação do país.
Mas, cabe ao MPLA adiantar-se a voltar atrás. O poder não é tudo na vida. O País sim.
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