O regresso dos que nunca foram – Filipe Cahungo
O regresso dos que nunca foram - Filipe Cahungo
Filipe

Consta da história cinematográfica de Angola um filme com o título “O regresso dos que nunca foram”, grande ironia, pelo fato de nunca terem ido mas regressarem. Será que o realizador se referia a que regresso e de onde regressavam?

Com essas duas esta questões, queremos que o caro leitor pense connosco no caso das exonerações e nomeações.

No xadrez político ou religioso, as exonerações comportam consigo duas dimensões: exonera-se quando se pretende atribuir um outro cargo de maior ou menor realce a alguém, também as exonerações podem possuir uma carga punitiva quando não alcança o desejável pela instância superior.

No nosso caso não sabemos de que se trata, porque uns foram como porta-voz do partido e voltaram como ministros e outras foram como ministras e voltaram como membros do partido, mesmo dando o apuramento dos Palancas Negras aos oitavos de final do CAN, como presente à Sua Excelência camarada João Lourenço, Presidente da República.

De facto, uns não saíram do círculo da elite que governa, daí terem regressado como ministros, outros sei lá que acontecera com eles! Trata-se de um eterno retorno, como disse um dos filósofos jónico.

Se for o caso, no entanto, preparemo-nos para assistirmos ao espetáculo que há muito começou mas que até agora não conhecemos os resultados, pois se tratará do jogo de dança das cadeiras.

Acompanhámos muito recentemente, pelos órgãos de comunicação social, a secretária do Ministério da Juventude e Desporto justificando o apoio feito à Seleção Nacional de futebol aquando da sua participação ao CAN, mas a outra parte desconhece tais valores, mambu metu, como diz em kicongo, significando em português “nosso problema“.

Será que isso terá custado a exoneração da sua excelência senhora ministra? os 1,6 milhões de dólares onde terão ido?

A ver vamos (…) se nosso camarada Rui Falcão, com a sua pujança, consiga pôr um basta e se consiga encontrar os valores, até porque o lema do MPLA é “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem“; ou, se trata apenas da velha estória de ir queixar o Porco ao Javali?

Todas essas questões serão respondidas através do tempo, no tempo e com o tempo. Estejamos preparados para não nos surpreendermos, pelo facto de a guerra avisada não matar soldado algum.

aos recém nomeados, portanto, desejamos boas-vindas. À nossa antiga ministra, desejamos um adeus ou um até já por se tratar do regresso dos que nunca foram.

Uma coisa só pedimos ao camarada João Lourenço: o combate à corrupção seja levado a cabo e que se faça justiça, pois entendemos justiça aquela capaz de restaurar o equilíbrio social através da lei e com a lei. Uma justiça curadora, acompanhada de compaixão – como consta dos tratados cristãos.

Sejamos fortes para não construirmos uma Nação sobre a lógica do regresso dos que nunca foram.

*Filosofo e professor

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