Olivia M. Domingos é a mulher que entregou 45,64 quilos de cocaína ao director do gabinete do comissário-chefe Pedro Kandela – É dona de restaurante e salão de beleza
Olivia M. Domingos é a mulher que entregou 45,64 quilos de cocaína ao director do gabinete do comissário-chefe Pedro Kandela - É dona de restaurante e salão de beleza
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O Serviço de Investigação Criminal (SIC) já conseguiu identificar a mulher misteriosa que havia entregue os 45,64 quilos de cocaína, chegados do Terminal DP Word Luanda, provenientes do Brasil, ao superintendente-chefe António Buila “Toy”, que, curiosamente, é o director do gabinete do 2.º Comandante-Geral da Polícia Nacional, António Pedro Kandela.

Segundo o Club-K, as autoridades angolanas sempre tiveram o controlo da mulher que atende pelo nome Olivia Maria Domingos (na foto), que ainda se encontra em liberdade, “havendo suspeitas de que estará a gozar de protecção de altas patentes do SIC.

Olivia Domingos foi quem transportou a mala de droga que lhe foi entregue pelo seu irmão de nome Norberto Conde “Amarula Castanha”, que é funcionário do Terminal DP Word Luanda.

Norberto Conde e os colegas, dentre os quais o diretor de segurança da empresa portuária, João Papito, foram recrutados por um homem – que já está detido – que é o suspeito de ter ligação ao desconhecido “dono da droga”.

Consta também neste grupo de funcionários do referido terminal, um elemento identificado por “Sete” que é irmão de Olivia e de Norberto Conde.

O “elemento intermediário”, responsável pelo recrutamento dos funcionários do Terminal DP Word, comunicou a estes que tinha uma mercadoria proveniente do Brasil e que gostaria que a mesma fosse retirada para fora de forma clandestina. Terá prometido contrapartidas ainda não reveladas, aos recrutados.

Os funcionários do Terminal DP Word aceitaram a proposta. Norberto Conde levantou a mercadoria, por orientação do “elemento intermediário”, levando para sua residência e guardou-a no interior de uma viatura estragada estacionada no seu quintal, no município de Viana.

O grupo foi traído por uma fonte que denunciou tudo ao SIC, resultando na detenção de todos, com a excepção de Olivia Domingos. Após dominar a informação da existência da droga, o SIC deteve Norberto Conde, que inicialmente negou tudo. Mas, mais tarde acabou por fornecer todas as informações após uma sessão de torturas por parte dos operativos do comissário-chefe, António Paulo Bendje.

Antes de ser capturado pelo SIC, Norberto Conde havia sido alertado que os operadores estariam a sua caça, tendo telefonado a irmão de nome “Sete” para resgatar a mercadoria e entregar a irmã Olivia Maria Domingos, para guardar num local seguro, em sua casa.

O irmão “Sete” pegou a mercadoria da casa do irmão, em Viana, e de seguida fez chegar Olivia Maria Domingos. Com a mercadoria em mãos, dentro de uma pasta, Olivia telefonou a amigo da família António Buila “Toy”, dizendo que tinha uma mercadoria sensível do irmão Conde que acabava de ser detido e que precisava de guardar num local seguro.

António Buila foi ainda contactado por ser amigo de longa data da família e padrinho de casamento de Norberto Conde. Olivia recorreu ao mesmo, motivada pelo facto de “Toy” ser um é quadro da Polícia Nacional.

Ambos conversaram ao telefone. Olivia Maria Domingos decide ir, com a sua viatura, até a casa do superintendente-chefe “Toy”. No local, revelou que carregava pacotes com cocaína que um desconhecido entregou ao seu irmão que se encontrava detido pelo SIC, tendo pedido que a mesma fosse guarda.

O amigo oficial da polícia nacional terá, inicialmente, rejeitado de ficar com a mercadoria em sua casa, lembrando que, na qualidade de quadro da ordem pública com mais de 40 anos de carreira, não podia guardar produto desta natureza. Há versões de que terá convencido Olivia a entregar a mercadoria as autoridades.

De acordo com a reconstituição do trajecto feito, antes de ir a casa de António Buila, a mulher, aparentemente agitada, telefonou para um outro amigo da família identificado por “Armando” para que este conduzisse a sua viatura até a residência do oficial da polícia.

Durante aquele trajecto, o SIC telefonou para o terminal 923604282, pertencente a Olivia Maria Domingos, dizendo que estavam a sua casa na rua Comandante Gika, em Luanda, e que tinham conhecimento que ela tinha em sua posse a pasta com a mercadoria que o irmão ordenou-lhe a ir pegar em Viana.

Face a situação, António Buila “Toy” e o amigo “Armando”, que estavam no bairro Benfica, decidiram acompanhar Olivia que estava a ser aguardada pelo SIC em casa. Os dois homens escoltaram a mesma até ao perímetro do aeroporto de Luanda “4 de Fevereiro”.

Inicialmente, o amigo “Armando” foi a conduzir o carro de Olivia, já que ela estava tensa, e o oficial da PN foi a escolta-los. Nas proximidades do aeroporto, os dois homens mudaram de viatura, deixando Olivia seguir com o seu carro até a casa para entregar a mercadoria aos agentes do SIC, que aguardavam por si.

Na mesma noite, António Buila telefonou ao seu superior hierárquico, o comissário-chefe Pedro Kandela, informando que tinha uns familiares por afinidade que estavam envolvidos em um problema de transportação de droga pertencente a um desconhecido barão, que os recrutou a partir do Porto de Luanda.

Ao fim do dia, o amigo “Armando”, que fez-se de motorista, regressou também a sua casa, até que no dia seguinte por volta das 18 horas, ter sido alvo de captura por parte do SIC. Paralelamente, o SIC fez algum tempo, e foi também a casa de António Buila, baixando ordem de detenção.

Quando interpelada pelo SIC, Olivia Maria Domingos disse que durante o trajecto da casa do irmão até a casa de António Buila, onde foi pedir apoio e trazia consigo 17 pacotes de cocaína.

Disse ainda que, ao ir ao encontro dos agentes do SIC, deu falta de três deles. Olivia disse aos agentes que suspeita que António Buila terá retirado os pacotes em falta no momento em que foi a casa deste pedir auxilio para esconder a mercadoria do irmão.

Olivia Domingos, que é empreendedora, dona de um salão de beleza e um restaurante “Olivia do Bem”, no bairro São Paulo, é dada como estando a ser colocada fora do processo. De todos, ela foi a única que o SIC – por via da TPA – não divulgou a sua imagem. Foi também ocultado que existia uma mulher neste processo.

A nível das forças da ordem pública, em Luanda, proliferam rumores, ainda não contestados, sugerindo que Olivia Maria Domingos poderá ter recebido a proposta do SIC, no sentido de alegar que estarão extraviadas três quilos de cocaína e que as mesmas terão sido retiradas por António Buila, no momento em que ela foi a casa deste.

Os referidos rumores são sustentados pelo facto de Olivia Maria Domingos ser, entre todos os detidos, a única que não foi mantida nos calabouços do SIC.

Na segunda-feira, 22, uma parte do grupo foi ouvida por um juiz de garantia, devendo as audiências prosseguirem. O irmão de Olivia, Conde foi o primeiro a prestar declarações e, posteriormente, o “intermediário” do dono da droga, que o recrutou para retirar a mercadoria do Terminal DP Word Luanda. Já, ontem, terça-feira, 23, foi ouvido António Buila, e o outro amigo da família, Armando, a quem Olivia Domingos pediu que conduzisse o seu carro até a casa do oficial da polícia nacional.

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