Onda de repressão atinge activistas em Angola após protestos contra subida do combustível
Onda de repressão atinge activistas em Angola após protestos contra subida do combustível
SIC angola

Pelo menos três activistas angolanos foram detidos nas últimas horas, antes e após a manifestação pacífica organizada pelo Movimento Contra a Subida dos Combustíveis, numa nova vaga de repressão que envolve detenções arbitrárias, agressões físicas e invasões domiciliares.

Segundo denúncias do próprio movimento, os alvos são activistas e cidadãos que participaram ou manifestaram apoio aos protestos populares contra o aumento do preço dos combustíveis no país, realizado no sábado passado.

O ambiente de intimidação e violência tem gerado indignação entre organizações da sociedade civil e defensores de direitos humanos.

Na madrugada de ontem, segunda-feira, agentes da Polícia Nacional invadiram a residência da activista Laurinda Gouveia, na sua ausência, e agrediram brutalmente o seu esposo, Agostinho, deixando-o inconsciente. A vítima encontra-se a necessitar de cuidados médicos urgentes.

O movimento denuncia a acção como um acto de perseguição ilegal, que viola a Constituição e os direitos fundamentais dos cidadãos.

“Exigimos a responsabilização imediata dos autores desta violência gratuita e garantias de segurança para Laurinda, sua família e os demais ativistas pacíficos”, afirma a nota enviada ao Imparcial Press.

Ainda na segunda-feira, o activista General Nila foi supostamente sequestrado por agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) à paisana, tendo sido baleado no pé durante a abordagem. O activista está hospitalizado sob custódia.

A acção é classificada como “tentativa de silenciamento violento”. “Atirar contra cidadãos desarmados é crime de Estado”, reagiu o movimento, que pede uma investigação imparcial e responsabilização dos autores.

No mesmo contexto, o jovem Salomão Mechamecha, licenciado em Sociologia e irmão do líder do Movimento de Estudantes Angolanos (MEA), Francisco Teixeira, foi detido por homens mascarados no bairro Zango, supostamente por ter exibido um cartaz de protesto durante a manifestação de sábado.

Já o activista Osvaldo Kaholo, detido a 19 de Julho, viu ser-lhe aplicada prisão preventiva, por decisão do Juiz de Garantia do Tribunal da Comarca de Luanda.

De acordo com o advogado de defesa, Simão Afonso, Kaholo é indiciado por três crimes, nomeadamente: instigação à Rebelião; instigação Pública ao Crime e apologia Pública ao Crime.

O juiz considerou haver risco de fuga, dado que os crimes imputados possuem moldura penal superior a três anos.

Organizações de direitos humanos e membros da sociedade civil têm vindo a alertar para a escalada da repressão contra o ativismo em Angola, sobretudo em contextos de manifestação pública.

O Movimento Contra a Subida dos Combustíveis apelou ao cumprimento da Constituição, à liberdade de expressão e manifestação e à proteção dos defensores de direitos humanos.

“Manifestar-se pacificamente não é crime. A repressão estatal só agrava o fosso entre o Governo e a população que exige respostas a problemas reais”, conclui o comunicado.

Até ao momento, não houve qualquer reacção oficial do Ministério do Interior, Serviço de Investigação Criminal ou da Polícia Nacional sobre os casos denunciados.

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