
Recentemente, jovens angolanos no exterior manifestaram o seu descontentamento ao encontrarem o Ministro das Relações Exteriores alegadamente a comprar vários iPhones 17, um dos telemóveis mais caros do mercado.
Isto num contexto em que Angola enfrenta uma das suas piores crises: 80% da juventude no desemprego, mais de 50% das crianças fora do sistema de ensino, hospitais sem medicamentos e o paludismo ainda a causar 70% das mortes evitáveis.
Diante desse cenário, o gesto do ministro soou como um insulto, e os jovens, revoltados, gritaram-lhe “gatuno” e “assassino”.
O mais preocupante não foi a compra, mas sim a reação do sistema. O SINSE, como sempre e agiu rápido para tentar vitimizar o governante e silenciar quem protestou.
Muitos jovens, mal informados ou influenciados pelo medo, passaram a atacar os próprios que ousaram levantar a voz: Gangsta77 e outros.
É a velha história: em toda luta pela liberdade, os menos atentos sempre acabam por defender o opressor e condenar o oprimido.
Fui educado à moda antiga. Os meus mais velhos ensinaram-me a respeitar todos, o pai do outro é também meu pai, e o irmão do meu amigo é também meu irmão.
Mas ensinaram-me também que o respeito é uma via de dois sentidos: se os mais velhos querem ser respeitados, devem começar por respeitar os mais novos.
O que aconteceu em Nova Iorque não é escândalo em nenhuma democracia séria. Vimos recentemente o presidente de Portugal ser insultado por uma cidadã, e nem por isso mobilizou os serviços secretos para reprimir. Mas os nossos governantes tornaram-se “mimosos” demais: querem o poder, o dinheiro, os luxos, mas não querem ouvir críticas.
Se o Ministro sentiu-se mal com os protestos, podia simplesmente parar e responder, defender-se com argumentos. Isso sim seria um sinal de respeito pela democracia.
Mas se não suporta a crítica pública, talvez deva repensar o lugar que ocupa. Porque o poder é do povo, e nenhum político deve estar acima da ética, da humildade e da prestação de contas.
Gangsta77, estamos juntos.A luta continua, e a verdade, mais cedo ou mais tarde, vencerá.
*Activista