Óscar Tito Cardoso Fernandes: o barão da construção civil em Angola
Óscar Tito Cardoso Fernandes: o barão da construção civil em Angola
oscar cardoso

O sector da construção civil em Angola desempenha um papel vital na reconstrução do país pós-guerra. Contudo, essa área está frequentemente envolta em alegações de irregularidades e esquemas de corrupção.

Óscar Tito Cardoso Fernandes, um dos nomes mais influentes no sector da construção civil em Angola, representa a face de um sistema onde contratos milionários, proximidade ao poder e alegações de corrupção se entrelaçam.

Beneficiário de múltiplos contratos adjudicados pelo Estado, financiados por empréstimos externos, o empresário é apontado como peça central numa teia de negócios que levanta sérias questões sobre transparência e conflitos de interesse.

Uma investigação publicada pelo portal O Decreto revela as conexões empresariais, políticas e financeiras de Óscar Fernandes, cujas actividades incluem contratos milionários adjudicados pelo Estado angolano e relações com figuras de alto escalão, como Edeltrudes Maurício Fernandes Gaspar Costa.

De acordo com o Despacho Presidencial n.º 60/14, de 5 de Maio, Óscar Tito, através da ENGEVIA, beneficiou de contratos milionários para a reabilitação de estradas nas províncias do Uíge e Bié.

O despacho autoriza a celebração de contratos que totalizam mais de 20,8 mil milhões de kwanzas, destacando-se:

  • Reabilitação da estrada Camacupa/Ringoma/Umpulo, no Bié, no valor de 9,6 mil milhões de kwanzas;
  • Reabilitação da estrada Alfândega/Cangola, no Uíge, no valor de 4,6 mil milhões de kwanzas;
  • Reabilitação da estrada Quimbianda/Buengas/Cuila Futa, no Uíge, no valor de 6,6 mil milhões de kwanzas.

O documento ainda instrui o Ministro da Construção a formalizar os contratos e o Ministro das Finanças a assegurar os recursos financeiros.

Ligação a figuras influentes

Óscar Fernandes teria construído sua fortuna graças à proximidade com Joaquim Sebastião, ex-director do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), e actualmente mantém estreitas ligações com Edeltrudes Costa, ministro de Estado e director do Gabinete do Presidente João Lourenço.

Um documento apresentado pela Televisão Pública de Angola (TPA) revelou que Óscar Tito teria recebido 3 milhões de dólares e Joaquim Sebastião 1,2 milhões de dólares de um pagamento total de 20,9 milhões de dólares feito à empresa Carmon.

Teia de empresas e negócios

Além da ENGEVIA, Óscar Tito controla ou está associado a diversas empresas, incluindo:

  • BDM Engenharia e Tecnologia, Lda., fundada em 2005, especializada em projetos de engenharia e gestão de obras;
  • Engemina, que explora diamantes nas Lundas;
  • BERTOLI – Participações e Investimentos, Lda., PLASCAR – Participações, Lda., e Mining Contract, Lda.

Grande parte dessas empresas está sediada em escritórios luxuosos em Talatona, como no Belas Business Park.

Óscar Tito também mantém relações com figuras como Armando da Cruz Neto e é representado em muitos negócios pelo engenheiro português Paulo José Ferreira de Sousa Dias Oliveira. Este último é descrito como seu “testa de ferro” e director do Grupo Engevia.

Claúdio Filipe de Almeida Barros, Eliseu Adão Agostinho, Cândido Manuel Cabaça, Guengo Aeres Bundo, António Carlos Perruci Loureiro Alves, de nacionalidade brasileira, Esaú Diogo Francisco e Óscar Breno da Silva Fernandes, seu filho, também se encontram conectados em mais de 10 empresas que encobre o ninho de Óscar Tito Cardoso Fernandes assegurado por Edeltrudes Costa.

A sua proteção por Edeltrudes Maurício Fernandes Gaspar Costa é justificada pelo facto de as empresas onde tem interesses (TELHABEL e MCA – Manuel Couto Alves), terem participado e materializado o sonho do director Edeltrudes Costa em erguer o luxuoso empreendimento que tem no Kikuxi em parceria com a OMATAPALO, do Governador de Luanda, Luís Nunes.

O empresário enfrenta alegações de desvio de fundos públicos e pagamento de luvas a jornalistas e figuras influentes para proteger sua imagem. Segundo a investigação, William Oliveira, associado a Óscar Tito, seria responsável por subornar jornalistas em Angola e no exterior.

Apesar dessas acusações, a Procuradoria Geral da República (PGR) e a Inspeção Geral da Administração do Estado (IGAE) não confirmaram a abertura de inquéritos contra o empresário.

Proteção no poder

Óscar Tito é descrito como “intocável” devido à proteção de Edeltrudes Costa, homem de confiança do Presidente João Lourenço. Essa relação é reforçada por laços familiares e interesses económicos mútuos, como a construção de um empreendimento de luxo no Kikuxi em parceria com a OMATAPALO, de Luís Nunes, governador de Luanda.

Especialistas apontam que investigar a fortuna de Óscar Tito pode revelar a extensão dos interesses econômicos de Edeltrudes Costa e os conflitos de interesse no círculo próximo do poder.

Tentativas de contraditório

Este portal contactou Óscar Tito através do e-mail corporativo da BDM. Inicialmente, o empresário aceitou conceder uma entrevista no dia 24 de Janeiro, às 10h, no hotel Tivoli, em Luanda. No entanto, o encontro foi cancelado por indisponibilidade do empresário.

A reportagem também procurou esclarecimentos junto ao procurador Álvaro João, porta-voz da PGR, mas até ao fecho desta matéria, nenhuma resposta foi obtida.

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