
Arrancou esta segunda-feira, 14 de abril, no Tribunal de Comarca do Lubango, o julgamento do padre Abraão Tyipa, de 80 anos, e do empresário Baptista Tyiloia, de 53, acusados dos crimes de injúria, difamação e calúnia, no caso relacionado com o projecto Agro-Pecuário Arquidiocesano da Missão Católica do Cuvango, iniciado em 2021.
Abraão Tyipa, professor reformado e actual presidente do Tribunal Interdiocesano, bem como vigário judicial da Arquidiocese do Lubango, e Baptista Tyiloia, respondem ao processo n.º 0625/2023, sendo a juíza da causa Violeta Tyiteta Prata.
A queixa foi formalizada pela própria Arquidiocese, que os acusa de fazerem alegações difamatórias contra o arcebispo Dom Gabriel Mbilingi e outros membros do clero.
Em causa estão declarações públicas dos arguidos, feitas em redes sociais, órgãos de comunicação social e instâncias judiciais e eclesiásticas, nas quais acusam a Arquidiocese de sabotar o referido projecto agrícola e de desviar bens da iniciativa para fins pessoais.
O projecto, com uma duração prevista de 30 anos, foi lançado com o propósito de combater a fome e a pobreza na região, tendo sido anunciado que empregaria até cinco mil jovens.
No entanto, foi abruptamente interrompido em Novembro de 2022, após um alegado assalto em que vários equipamentos foram levados. Os arguidos apontam o dedo a membros da própria igreja como autores do acto.
Durante a sessão de julgamento, iniciada com o interrogatório aos réus, foi recordado que Baptista Tyiloia chegou a ser detido no âmbito do mesmo caso, acusado de burla qualificada, após denúncias de estagiários que afirmam ter pago valores monetários para garantir a sua integração no projecto.
O caso promete levantar novos contornos no seio da Igreja Católica na província, ao envolver figuras de alto perfil religioso e empresarial, e poderá marcar um precedente inédito nas relações entre leigos e a hierarquia eclesiástica.