
A história que se segue é um reflexo da tamanha idiotice do povo africano. Na tarde desta segunda-feira, 9 de Fevereiro, saía do Belas Shopping, em Luanda, quando apanhei um táxi e tive acesso a esta informação que decidi partilhar aqui nas redes sociais.
Durante a viagem, um dos passageiros recebeu a notícia do falecimento do sobrinho, um jovem licenciado em Geologia e Minas, segundo relatou.
Tratava-se do primogénito da irmã e o único com formação superior entre os irmãos. Tinha emprego estável e contribuía para a educação e sustento da família, apoiando os pais e outros parentes.
Após receber o telefonema, o homem chorou e, já mais calmo, decidiu explicar aos demais passageiros quem era o sobrinho e as circunstâncias da sua morte. Afirmou que o pai o teria entregue como pagamento de uma dívida contraída há anos, na província de Malanje.
Segundo contou, o seu cunhado, pai do jovem falecido, esteve envolvido na morte do primogénito de outro homem, alegadamente por via de práticas ocultas.
Em consequência disso, integrantes do mesmo grupo teriam sido pressionados a entregar também os seus primeiros filhos, sendo ele um dos que resistiam.
Referiu ainda que o homem tentou substituir a pessoa exigida, mas a proposta não foi aceite. Depois de anos de pressão espiritual, marcados por conflitos familiares, doenças e outras situações de instabilidade, acabou por ceder. Assim, segundo a narrativa apresentada, entregou o único filho formado e principal suporte da família.
Depois de relatar o episódio, o passageiro afirmou que não compareceria ao óbito, por receio de agir movido pela emoção. Disse que aguardaria pelo dia da resolução do problema.
No interior do táxi, outro passageiro, natural da província de Cabinda, afirmou reconhecer esse tipo de prática, dizendo tratar-se de uma realidade que não se limita a Malanje, mas que ocorre em várias partes do país.
No caso em apreço, o jovem teria sido usado como pagamento de uma dívida espiritual. A confirmar-se tal versão, fica claro que o povo africano merece viver debaixo dos inúmeros problemas que enfrenta.
*Pintor de Letras