
O futuro Palácio da Música e do Teatro de Luanda, actualmente em construção no antigo Cine Teatro Restauração, vai receber o nome do músico e político angolano Carlos Aniceto Vieira Dias, conhecido artisticamente por Liceu Vieira Dias, anunciou hoje o Executivo angolano.
A informação foi avançada durante a visita efectuada na segunda-feira pelo Presidente da República, João Lourenço, às obras do complexo cultural, numa deslocação realizada por ocasião do Dia Mundial dos Museus.
Segundo os dados apresentados ao chefe de Estado, a empreitada apresenta um nível de execução física de cerca de 50%, estando a conclusão prevista para Abril de 2027.
O projecto, orçado em 85 milhões de dólares, já registou uma execução financeira de 48% e emprega actualmente 93 trabalhadores angolanos.
O complexo cultural incluirá escolas especializadas de música, dança e teatro, bem como áreas para ensaios e apresentações artísticas.
A infra-estrutura contará igualmente com uma área administrativa autónoma, espaços de restauração e um parque de estacionamento subterrâneo com capacidade para 324 viaturas.
Liceu Vieira Dias, fundador do agrupamento musical Ngola Ritmos e uma das figuras históricas da música moderna angolana, é considerado um dos principais impulsionadores da valorização da cultura nacional e da afirmação da identidade angolana durante o período colonial.
O músico esteve também ligado aos movimentos nacionalistas que antecederam a independência de Angola.
A segunda etapa da visita presidencial decorreu no Cine Teatro Nacional, edifício histórico construído na década de 1930, cuja reabilitação já ultrapassou os 95% de execução física.
De acordo com o Executivo, o programa de recuperação de infra-estruturas culturais visa melhorar as condições de trabalho de músicos, actores, bailarinos e profissionais do cinema, além de ampliar os espaços destinados à promoção artística.
O ministro da Cultura, Filipe Zau, afirmou que o Palácio da Música e do Teatro funcionará com base num modelo de gestão permanente, semelhante ao adoptado no Palácio de Ferro.
Conforme o governante, estão em preparação os cadernos de encargos para o lançamento do concurso público destinado à selecção da entidade gestora do espaço, que deverá incluir livraria académica, cybercafé e equipamentos modernos de som.
Filipe Zau acrescentou que a expansão da rede cultural para outras regiões do país, com salas já activas em Mbanza Kongo, Huambo e Namibe, pretende facilitar as digressões de artistas nacionais e reforçar o turismo cultural em Angola.