Papel das ex-FAPLA pela paz e estabilidade de Angola – Joaquim Xanana
Papel das ex-FAPLA pela paz e estabilidade de Angola - Joaquim Xanana
FAPLA

O acto de rememorar produz sentido e significação através da subjectividade do sujeito e da repoetização do passado numa nova estética do passado. (DIEHL,2002:114).

Entretanto, o processo de conscientização da experiencia presente, através da rememorização, configura-se como ponto-chave da contemporaneidade daquilo que podemos chamar de identidade.

Em plena conjuntura da bipolarização do mundo, registava-se a Revolução dos Cravos em Portugal, que permitiu a derrocada do regime colonial em África. Constituindo desta feita a soberana oportunidade dos povos das colônias de traçarem os seus respectivos destinos e resgatarem a dignidade e o respeito no concerto das nações.

Nesta perspectiva foi há 50 anos, e no auge dum processo turbulento de descolonização, proclamada e constituída pelos nacionalistas, forjados na década dos anos 20/50, as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) -1974/2024.

Bater de frente, pressupõe que a vitória estava reservada aos dikwenze, dispostos a pagar a qualquer preço, a conquista da liberdade nacional, cerrando as fileiras com bravura no ar, no mar e na terra, de cabinda ao Cunene, do mar ao leste, desfilando imensuráveis e retumbantes vitórias. Garantindo a paz, a inviolabilidade territorial.

Entre a transição geracional, destacam-se os heróicos fundadores, “comandantes”; Bolingó, Ndozi, Pedalé, Orlog, Foguetão, Gika, Vunda, Bassovava, Delfim de Castro, Dino Matross, Petroff, Xiêtu, entre outros.

Em consequência, reforçados ou renovados pela gesta de valorosos dikwenze, entre eles; Gugu Cunha, Sofia, Joka Menezes, Artur Valente, Lupuka, Beta-ngó, Venância, São Kudjimbi, Kimbange, Waluka, Dabolinha, Ruth, Nzala, Sá Miranda, Pereira, Carlos Malheiros, Tambarino Salgado (TS), Bilolo, Violência, Bula Miongo, Kitumba, Banicas, Revolução, Neto Joaquim, Liberato, Chilala, Sartana, Fusas, São Correia, Bibi, Altino Malheiros, Surukuku, Guerra, Emeguiza, Menha Muxingu, Gildo dos Santos, Tomboco, Ginginda, João “Tondela”, Fúria, Certeza, Bazuca, Uchid, Vulapata, Tabita, Sá Massoxi, Mbita, Menezes, e etc.

Entre os anónimos, brotaram o seu suor, o sangue, lágrimas e sem abrir mãos a situações menores, e com determinação, destroçaram o reduto militar dos exércitos regulares invasores sul-africano e zairense, auxiliados pela corja de mercenários de diferentes latitudes.

Por isso, devem ser na intemporalidade e com nobreza, reconhecidos pelo heroísmo, sobretudo, por terem sido capazes de dar a própria vida pela pátria, pelo objectivo final (busca da liberdade para as diversas gerações), consubstanciado na alcance e proclamação da independência nacional em, (República Popular de Angola), na praça 1º de Maio, no dia 11 de Novembro de 1975.

Nesta forma de estar e ser, evidenciavam-se os essenciais valores da classe castrense como, o patriotismo, o civismo, o espírito de missão, aprimoramento técnico-profissional, entre outros. E se releva, a irrepreensível disciplina militar, táctica operativa.

Eram rigorosos na observância e no acatamento integral sobre os regulamentos, normas e demais disposições legais, traduzindo-se pelo perfeito cumprimento do dever íntegro de todos e cada um dos componentes do organismo militar.

Naquele contexto, a valentia caracterizou-os, notavelmente, como a peça fundamental no xadrez da política internacional e regional, palmilhando os caminhos á emancipação doutros povos do continente africano, como a Namíbia, África do Sul e o Zimbabwe.

Num período em que, entre as várias notas para a moralização dos combatentes da liberdade, se realçava; “ao invasor nem um palmo da nossa terra”. Este slogan, radicava, basicamente em tácticas em que a infantaria, a artilharia e outros meios, faziam as acções coordenadas contra as linhas adversárias, e que passavam sucessivamente a ser aniquilados.

Com a derrota sobre os invasores, que de sobremaneira, também manifestavam intenções expansionistas, baseado num forte militarismo. Estes ficaram colapsados e incapacitados pela apetência continuada de se tornarem, num baluarte da neocolonização na parte austral do continente Africano.

Contextualmente, e na dimensão requerida, foram capazes de aprender a comandar o seu próprio destino, enfrentando com sagacidade as batalhas e amadurecendo os diversos desafios, que se consubstanciaram na conservação e preservação da independência nacional (estabilidade institucional) sobre os valores da liberdade, cidadania e democracia.

Parafraseando Dr. António Agostinho Neto “Adeus à hora da largada- Minha Mãe” (todas as mães negras cujos filhos partiram) tu me ensinaste a esperar como esperaste nas horas difíceis. Mas a vida matou em mim essa mística esperança. Eu já não espero, sou aquele por quem se espera. Sou eu minha Mãe a esperança somos nós os teus filhos partidos para uma fé que alimenta a vida” -In sagrada esperança.

Por via disso, a libertação do Zimbabwe, Namíbia e África do Sul são a prova evidente desta realidade, proclamada pelo Presidente Dr. António Agostinho Neto e que o Presidente Eng.º José Eduardo dos Santos concretizou.

Que ninguém venha exigir silêncio ou que apaguemos da memória os feitos dos nossos heróis. E, não têm culpa de estarem do lado certo da História.

HONRA E GLORIA HOJE E SEMPRE AOS COMBATENTES DAS EX- FAPLA.

*Psicólogo

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