Para aonde vais Angola? – Filipe Cahungo
Para aonde vais Angola? – Filipe Cahungo
Filipe

As Nações fortes são formadas por cidadãos com uma base sólida sobre a compreensão de si. Tenhamos em consideração, que cada um é construtor desta base sólida. Outrossim, Angola formamos nós a partir de cada escolha que fizemos e com nossas acções que, no dia-a-dia, contribui para a definição e construção do projecto Angola.

Mas, nesse processo, uns têm responsabilidades acrescidas porque é a eles que o povo escolheu para assumir o destino da pátria. .

Na arquitectura africana, de modo concreto a do Mali, existe a tão aclamada mesquita de Tombuctu, ela se mantém firme até os nossos dias pelo gesto e pela ideia de pertença que os malianos têm; pois, anualmente organizam-se para reconstruir a mesquita, facto que contribuiu para que a mesma chegasse até aos dias de hoje, apesar dos imensos perigos a que esteve exposta.

É dessa unidade que há entre os malianos em conservar o seu matrimónio ou o elemento que constitui o factor de unidade, pelo qual qualquer um é capaz de lutar. Precisamos cultivar quer para nós, quer para os nossos filhos o mesmo sentimento de pertença.

Do ponto de vista do imaginário colectivo, a Nação só existe quando existem razões pelas quais cada um é capaz de manter a esperança e razões de lutar por ela. Por essa razão, importa fazermos a seguinte indagação:

Quais os motivos que fazem com que um angolano e uma angolana lutem por Angola?
Será a posse de um bilhete de Identidade?

É conveniente tomarmos nota que há um elemento que escapa aos técnicos das ciências positivas e do direito, que tem a ver com o sentimento de pertença e o orgulho nacional.

A pergunta que não se quer calar é a seguinte: quo vadis Angola? Que em português traduz-se, para aonde vais Angola?

E por sinal, é o título do nosso texto. Quo vadis também é titulo de um romance do escritor polaco Henrik Sienkiewicz, que trata da triste situação a que estavam sujeitos os cristãos na Roma antiga, na época de Nero. Mas, acredito que já não estamos em contexto de perseguição porque somos todos um só povo e uma só Nação, como consta do hino nacional.

Uma coisa não podemos perder de vista no gesto dos malianos, quando se põem a dar uma nova roupagem à mesquita de Tombuctu, que é a unidade na diversidade; afinal de conta nesse gesto podemos concluir que é possível vivermos juntos na diversidade e partilharmos o poder.

É na partilha do poder onde reside a maior riqueza, é no outro onde temos de encontrar o motivo de projecto comum, pois é aqui em que todos nos sentimos partícipes para a construção do projecto de sociedade escolhido por nós. Por isso, os partidos políticos não valem pelo que eles são, mas sim pelo projecto de sociedade que cada um apresenta.

Por essa razão, sempre que se realizam eleições precisamos ter em conta que o que está em jogo são os projectos de sociedade que cada Partido pretende levar a cabo. Nessa perspectiva, Angola é o que cada um de nós escolhe que ela seja.

Se os partidos valem pelos projectos de sociedade que defendem, face a esta dura realidade à qual nós, angolanos e angolanas, enfrentamos permite-nos fazer a construção do seguinte raciocínio: Esta realidade dura resulta do projecto de sociedade que escolhemos ou queremos que seja, porque todos nós escolhemos o mesmo projecto?

Não choremos pelo sangue derramado, pois, é mesmo importante que aprendamos com os erros cometidos no presente para nos prevenirmos. Ou seja, para daí retificarmos o tipo de sociedade que se construiu caso seja necessário.

*Filósofo e professor

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