
Desejo que o meu partido, o MPLA, seja verdadeiramente democrático. Desejo um partido cujos membros possam livremente se candidatar para quaisquer órgãos sem que o líder os impeça ou influencie nos resultados eleitorais.
Defendo o voto secreto nos actos eleitorais relacionados com candidaturas a diversas funções partidárias. Quando isso ocorrer, haverá mais empenho individual na materialização de propósitos; liberdade na decisões de apresentação ou retirada de candidaturas; autoconfiança nas ideias e projectos propostos; e auto-estima estima pelo sucesso politico. Nessa hipótese, a concorrência e competência darão azo à meritocracia.
Um partido que premeia bajuladores e que prefere o amiguismo (presumível confiança politica) à competência não forma grupos de trabalho brilhantes e equipas de governação competentes, visto que deixa de haver comprometimento.,
Quero um partido em que as ideias e escolhas dos líderes sejam fundamentadas, de modo a que os demais militantes possam avaliar sua justeza ou eventuais incoerências. É sabido que decisões incoerentes geram confusões.
Desejo um partido forte. E um partido político só é forte, quando os seus militantes, em diversos fóruns, são capazes de pedir explicações ou contestar as declarações, acções ou omissões negativas da sua liderança.
Um autêntico político não é bajulador, nem tachista. Esse é politiqueiro. Um autêntico político tem convicções e defende-as com congruência.
Quando muda de opinião, justifica a sua mudança de posição. E deixa-a sob análise e aceitação de parte considerável dos seus correligionários.
No meu MPLA, há muitos militantes de vários escalões, que têm vozes no seio das respectivas famílias sociais. Uns falam alto! Até gritam! Criticam os actos, palavras e omissões negativos dos seus pais e dos demais membros da família.
Porém, no seio da sua família politica, o MPLA, se calam ante a negatividade, por opção ou por receio de serem afastados e, assim, perderem as vantagens políticas e sociais, associadas ao cargo.
Assim se conclui, como diz o Yuri da Cunha, numa das suas canções, tornam-se ser “grossos” na família, mas “fininhos”, no Partido. E se alguém perguntar a um desses indivíduos, “Por que é que o mano é só ‘grosso’, na família, mas no MPLA é fininho?”, calar-se-á.
*Jurista e político