
Angola enfrenta um paradoxo preocupante. Enquanto o crescimento demográfico se mantém em 3% ao ano, o crescimento económico não acompanha essa taxa, ficando aquém do necessário para garantir uma melhoria na qualidade de vida dos angolanos.
Este descompasso evoca a teoria Malthusiana, que alerta para o perigo de o crescimento populacional superar o crescimento dos recursos económicos disponíveis, conduzindo a um declínio no padrão de vida.
Para romper com esta trajetória, a diversificação da economia emerge como a solução mais viável e sustentável.
No sector da agricultura, em vez de formular novos programas, a prioridade deve ser reavaliar e implementar com rigor os planos já existentes. A agricultura pode ser o alicerce da economia angolana, mas isso exige políticas eficazes de execução, apoio técnico e financiamento adequado para maximizar a produtividade e a autossuficiência alimentar.
No sector extractivo, a transparência é crucial. Precisamos de clareza sobre os ganhos reais no setor madeireiro e noutros setores extrativos, como o petróleo, ouro, granito, quartzo, cobre e ferro.
Mesmo os recursos de menor escala devem ser monitorizados com precisão, assegurando que os benefícios dessas riquezas sejam amplamente partilhados entre os cidadãos.
Na economia azul, a urgência de combater a máfia e a desordem nas águas territoriais de Angola não pode ser subestimada. A exploração sustentável dos recursos marinhos é vital para a economia, e a regulação rigorosa pode prevenir a escassez desses recursos, garantindo que a pesca e outras atividades marítimas contribuam plenamente para o desenvolvimento nacional.
No sector industrial, a definição estratégica de zonas industriais, com forte investimento em energia e água, é essencial. Criar polos industriais robustos não só diversificará a economia, mas também gerará empregos e aumentará a produção interna, reduzindo a dependência de importações.
No sector terciário, com a diversificação e fortalecimento dos setores primário e secundário, o setor terciário será automaticamente alavancado, gerando uma economia de serviços mais dinâmica e resiliente.
Conhecimento e educação: Todas estas iniciativas devem ser sustentadas por um forte desenvolvimento do capital humano. Investimentos em educação e formação são indispensáveis para garantir que os cidadãos possuam as competências necessárias para contribuir para uma economia moderna e diversificada.
Justiça e investimentos estrangeiros: Para atrair investimentos estrangeiros, um sistema judicial imparcial e eficiente é fundamental. A segurança jurídica oferece aos investidores a confiança necessária para injetar capital na economia angolana, promovendo o desenvolvimento económico sustentável.
Cidadania e crescimento económico: A cidadania ativa e responsável é um pressuposto para o crescimento económico. Por mais que o PIB cresça, se as outras variáveis socioeconómicas, como educação, saúde e justiça, não forem abordadas simultaneamente, Angola continuará a enfrentar desafios no seu desenvolvimento.
O caminho para a prosperidade exige uma abordagem integrada e disciplinada, onde o crescimento económico é acompanhado pelo fortalecimento das instituições, transparência, e um compromisso com a justiça e a educação.
*Coordenador do FORDU/Namibe