Paralisação dos serviços da DTSER há mais de um mês gera indignação
Paralisação dos serviços da DTSER há mais de um mês gera indignação
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Os serviços da Direcção de Trânsito e Segurança Rodoviária da Polícia Nacional (DTSER) encontram-se praticamente paralisados há mais de um mês, devido a uma falha no sistema informático, situação que tem provocado longas filas, frustração e críticas de cidadãos em todo o país.

Segundo relatos de vários utentes, a instituição deixou de atender presencialmente e suspendeu a emissão de cartas de condução, matrículas e outros documentos essenciais, alegando “problemas técnicos” no sistema.

A ausência de esclarecimentos claros e o prolongamento da paralisação alimentaram especulações sobre as causas reais do incidente.

Alguns cidadãos apontam como possível motivo alegadas dívidas do Ministério do Interior (MININT) à empresa responsável pela manutenção do sistema, estimadas em mais de 70 milhões de dólares, informação que até aqui não foi confirmada oficialmente.

“Estamos há um mês sem qualquer resposta. Fui várias vezes à DTSER, e dizem sempre que não há sistema. Precisamos resolver assuntos urgentes, mas ninguém nos explica nada”, lamentou ao Imparcial Press um utente, visivelmente frustrado.

Nos canais oficiais da instituição, a própria DTSER reconheceu que “90% dos serviços estão parados”, confirmando a dimensão do problema.

Entre os utentes mais afetados está Carlos César, que aguarda a emissão da sua carta de condução desde Fevereiro do ano em curso.

“Entendemos que o país quer modernizar os serviços, mas é inaceitável deixar os cidadãos tanto tempo à espera sem um comunicado oficial. Estou há meses a circular com um papel provisório que se rasga constantemente. É preciso melhorar a comunicação e o atendimento”, afirmou.

Face à crescente pressão pública, a DTSER divulgou um comunicado oficial no dia 29 de setembro, explicando que a paralisação “resulta de uma intervenção técnica programada, essencial e estratégica”, no âmbito do processo de modernização digital dos serviços públicos.

De acordo com o documento, a instituição está a implementar um novo ecossistema digital de atendimento, acessível através do portal [https://dtser.pn.gov.ao], que passará a ser o único canal válido para submissão de pedidos, pagamento de taxas, acompanhamento de processos e agendamento de serviços.

O comunicado orienta todos os cidadãos, incluindo os que já tinham processos em curso, a registar-se novamente no portal e reenviar os pedidos através dos formulários electrónicos disponíveis.

Apesar da promessa de um sistema “mais rápido, seguro e acessível”, muitos utentes consideram inaceitável a ausência de uma alternativa temporária ou de um plano de contingência que garantisse a continuidade dos serviços durante a transição.

“Um país que caminha para 50 anos de independência não pode permitir que um serviço público nacional fique mais de três semanas paralisado. Os cidadãos não podem ser as principais vítimas da modernização do Estado”, lamentou outro utente em entrevista ao Imparcial Press.

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