Parcerias fortes – Juliana Ferraz
Parcerias fortes - Juliana Ferraz
Juliana Ferraz

Quando pensamos nos passos importantes que o país tem dado com a realização de vários instrumentos jurídicos de cooperação com destaque para a Espanha, Brasil e, recentemente, com a República da Coreia do Sul, é reconhecer que novas dinâmicas serão implementadas, como reduzir burocracias e animar o desempenho da balança comercial entre os países.

Angola precisa de entrada de investimento estrangeiro, e a possibilidade de aumentar o investimento sul coreano é um factor benéfico para economia, na medida em que a Coreia do Sul possui um conjunto de potencialidades económicas e tecnológicas em diversos sectores que devem ser exploradas bem visíveis nos acordos firmados nos domínios do Comércio, Diplomacia, Saúde e Ordem Pública, embora nada de inédito, porque Angola e a Coreia do Sul já assinaram acordos de cooperação há mais de 30 anos, embora pouco expressivos.

Ainda são visíveis alguns problemas estruturais por ultrapassar, para além de consolidação fiscal, que também significa reduzir o défice e a dívida. É prioritário ganhar competitividade fiscal, que é um factor que os países dispõem para a captação de investimento.

Um país que não seja competitivo neste aspecto retrai o investimento, que passa se deslocar imediatamente para países mais favoráveis ao acolhimento destes fundos de capitais de origem externa.

Portanto, temos que seguir o caminho da recuperação económica promovendo a abertura e a diversificação da economia, e acção da diplomacia económica é muito favorável porque permite garantir maior atracção de capital estrangeiro e intensificar as trocas comerciais.

Não é novidade que todo este processo deve assentar em pressupostos e diplomas legais que promovam a melhoria do ambiente de negócios e incentivem estas parcerias, como por exemplo as questões fiscais mais favoráveis ao investidor estrangeiro, facilidades no processo da Lei de Terras, facilidades na expatriação de capitais, melhoria no acesso aos vistos de trabalho, etc.

De recordar que a Coreia do Sul é a 4ª maior economia do continente asiático e a 10ª a nível mundial, em termos de industrialização, esta cooperação deve ser bem aproveitada para os dois países, e olhando para o propósito da diversificação da economia, está é certamente uma das oportunidades de aumentar a quota do investimento privado, ou ainda realizar parcerias com empresas angolanas.

A Coreia do Sul está num estágio de desenvolvimento económico e industrial diferente de Angola, é uma oportunidade grande para agarrar e aproveitar as valências e a experiência sul coreana na implementação de processos de produção, know how e a tecnologia em termos de produção de equipamentos hospitalares entre outros.

Já no sector do comércio é uma valia, sobretudo para os empresários, porque o crescimento económico surgirá por via das empresas que devem encontrar a melhor forma de aproveitar as vantagens de economias mais maduras como a Coreia do Sul apresenta.

Por exemplo adoptar as melhores práticas do sector do comércio desta potência, e pelas potencialidades que o país apresenta relativamente aos Estados-membros, é importante que o país explore essa vantagem comparativa face às economias concorrentes, de forma que haja maior contribuição deste sector no PIB, face aos países da zona SADC.

Vale a pena chamar à conversa a cooperação entre Angola e a Espanha, debatermos sobre o sector do Turismo, e aproveitarmos a experiência e a tradição que a Espanha comporta.

Por exemplo durante o ano de 2023, este país registou cerca de 85 milhões de turistas, portanto, é um parceiro de nível que permitirá acelerar a indústria do Turismo Nacional com enorme potencial de crescimento em Angola, sendo que é considerada como a alavanca de crescimento da economia fora do sector petrolífero e fonte de arrecadação de divisas, e é um desafio aumentar a nossa participação à escala mundial que é de cerca de 10% do PIB.

Com o aquecimento do sector do Turismo, nasce a oportunidade de se preparar um conjunto de empresas da cadeia de valor deste sector nomeadamente: Cadeia de hotéis, restauração, transportes, agências de viagens que organizam excursões, comércio local, entretenimento entre outros serviços indispensáveis numa determinada oferta turística.

Portanto, o Turismo, do ponto de vista económico e social, mais do que gerar emprego e renda, é considerado um catalisador de captação de receitas, que vão impactar sempre na qualidade de vida das comunidades, e podemos chamar de um verdadeiramente processo de desenvolvimento sustentável.

*Economista

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