
O Partido Liberal (PL) reagiu duramente à retirada total do subsídio ao combustível, medida anunciada pelo Governo no início deste mês, classificando-a como “injusta, autoritária e socialmente insensível”.
Em comunicado enviado à redacção do Imparcial Press, o presidente do partido, Luís de Castro, acusa o Executivo de estar a transferir os custos da sua má gestão para os cidadãos comuns, empurrando milhões de angolanos para “a indigência económica e o colapso social”.
Segundo o documento, o partido considera que um Governo em fim de mandato carece de legitimidade moral para impor novos sacrifícios a uma população já exausta.
“O Executivo, sustentado por uma maioria parlamentar capturada, revela mais uma vez a sua prioridade: proteger os privilégios de uma elite política e empresarial encostada ao poder”, lê-se na nota.
A justificação apresentada pelo Governo — assente na necessidade de sustentabilidade fiscal — é, segundo o Partido Liberal, “falaciosa”, tendo em conta o histórico de má gestão e corrupção que, segundo o PL, drenaram os cofres públicos ao longo dos últimos anos.
“Não se pode agora, com discursos tecnocráticos, pedir ao povo que compreenda o esforço, quando o próprio Estado não dá o exemplo”, afirma.
O partido critica particularmente a ausência de medidas compensatórias para amortecer o impacto da decisão. A eliminação do subsídio sem incentivos à produção ou alternativas de apoio social é, segundo a formação política, “um ataque direto à economia das famílias”, com efeitos mais visíveis no interior do país e nas periferias urbanas, onde o transporte informal é essencial para a mobilidade e sobrevivência.
O comunicado vai mais longe, afirmando que o actual modelo de governação configura um “Estado que tributa os pobres para sustentar os ricos”, apontando a ausência de cortes nos gastos públicos, como a manutenção de ministérios considerados inúteis, despesas com assessores, viaturas de luxo e cerimónias protocolares.
Em contraponto, o Partido Liberal defende uma reforma económica centrada no combate à corrupção, redução do aparelho estatal, estímulo à iniciativa privada local e desoneração fiscal para os mais pobres e mais produtivos.
“Angola não precisa de mais sacrifícios do povo, precisa de coragem política, justiça económica e respeito pelos seus cidadãos”, conclui Luís de Castro.
O Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP) anunciou um novo ajustamento no preço do gasóleo, que passou a ser comercializado a 400 kwanzas por litro, desde o dia 04 de Julho do ano em curso.
A actualização insere-se no processo de ajustamento gradual dos preços dos combustíveis em Angola, em conformidade com o Decreto Executivo Conjunto n.º 81/23, de 1 de Junho, que visa aproximar os preços internos dos praticados no mercado internacional.