
Angola perde anualmente cerca de 500 milhões de dólares devido à pesca ilegal e às deficiências administrativas do sector, revelou na sexta-feira (25) a ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen do Sacramento Neto.
O dado foi avançado na abertura da 5.ª Conferência sobre Economia Azul, em Luanda, onde a governante destacou a pesca ilegal como um dos principais entraves à consolidação de Angola como potência marítima regional.
Segundo a ministra, os prejuízos não se limitam ao ato da pesca, mas estendem-se a toda a cadeia de valor, incluindo conservação, transformação e comercialização.
Além disso, apontou como fragilidades adiccionais o fraco contributo do turismo costeiro, a insuficiência de infra-estruturas modernas e a excessiva burocracia administrativa.
Apesar das perdas, o sector registou alguns progressos. A produção pesqueira cresceu 9% em 2023, alcançando 521.379 toneladas, e em 2024 deverá atingir preliminarmente 540 mil toneladas.
No segmento do sal, a produção rondou as 210 mil toneladas em 2024, enquanto o peixe seco registou 31 mil toneladas.
No comércio externo, Angola exportou 22 mil toneladas de pescado em 2023, gerando apenas 65 milhões de dólares, valor significativamente inferior face às perdas causadas pela atividade ilegal.
Entre 2023 e 2024, foram ainda capacitadas 35.200 mulheres processadoras, num esforço de fortalecimento do capital humano.
Para Carmen Neto, é urgente investir na capacitação técnica, na simplificação de processos administrativos e na adoção de políticas de governação sustentável, de modo a transformar o sector marítimo num verdadeiro motor da diversificação económica e reduzir a dependência do petróleo.
O evento, que encerra este sábado, conta com a participação de representantes do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria da Pesca e Aquicultura, do Fundo de Garantia de Crédito (FGC), da Secil Marítima, entre outros operadores ligados à chamada Economia Azul.