PGR aperta testas-de-ferro de Joel Leonardo
PGR aperta testas-de-ferro de Joel Leonardo
JL TS

A Procuradoria Geral da República (PGR) realizou na última quinta-feira, em Luanda, um “raide” que culminou em buscas e apreensões aos escritórios e casas de “testas-de-ferro” do presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo, que está a ser investigado por práticas de nepotismo, corrupção e venda de sentenças.

Segundo a notícia veiculadas pelo Club-K, a PGR centrou necessariamente as suas buscas à sede do Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ), onde trabalha Joel Leonardo. Nesta estrutura, os operativos do general Hélder Pitta Grós viram-se obrigados a arrombar o gabinete de Silvano António Manuel, peça fundamental para a descoberta da verdade.

Silvano Manuel – sobrinho e testa-de-ferro do presidente do Tribunal Supremo – está preso desde o dia 01 de Fevereiro. No esquema das negociatas de sentenças, desempenhava o papel de cobrador, ou seja, era ele quem efectuava as cobranças em nome do tio.

Ainda nesse dia [quinta-feira, 16], para além do gabinete de Silvano Manuel, a PGR realizou buscas em casa do mesmo, tal como na residência de um outro primo de Joel Leonardo, Salomão Raimundo Kulanda.

Tratado no meio privado por “Salú”, Salomão Raimundo Kulanda é juiz desembargador e trabalha com o primo Joel Leonardo como coordenador da comissão de gestão e instalação do Cofre dos Tribunais.

Enquanto decorriam as buscas, o chefe da escolta de Joel Leonardo, identificado por “Fuca”, foi chamado para ser ouvido na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) da PGR.

Já ontem, sexta-feira, 17, foi despachado um dispositivo do SIC junto à sede do DNIAP prevendo-se mais interrogatórios. Enquanto isso, o presidente do Tribunal Supremo convocou o seu núcleo de “testas-de-ferro” para uma reunião que decorreu na sua residência oficial, no condomínio Boa Vida, em Luanda. Carlos Salombongo, o seu assessor para os assuntos das sentenças, também se fez presente.

A PGR prepara-se, de acordo com a fonte primária, para efectuar em breve buscas na residência de Joel Leonardo, visto que, na semana passada, o mesmo andou a recolher as facturas de pagamentos. Para que isto aconteça, os operativos da PGR terão de requisitar “autorização superior” já que Joel Leonardo goza de imunidades.

Joel Leonardo começou a ser investigado depois do ex-ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, comentar a um amigo que estaria a ser alvo de chantagens por uma rede ligada ao presidente do Tribunal Supremo. A rede (de marginais) estava a exigir a quantia de 3 biliões de kwanzas a Tomás, caso não pagasse voltaria para a prisão. Tomás e membros da sua família foram ouvidos também esta semana.

É a primeira vez, na história de Angola, que um juiz presidente é investigado por corrupção e venda de sentenças. Uma outra juíza que chefia o Tribunal de Contas, Exalgina Reneé Vicente Olavo Gambôa, começou a ser também investigada pelas autoridades competentes, havendo sinais de que prefere pedir demissão do cargo, ao contrario de Joel Leonardo que optou ir até as últimas consequências (julgamento, prisão ou absolvição).

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