
A Procuradoria Geral da República (PGR) constituiu como arguido o cidadão nacional Vanur de Abreu Isau Leonardo, filho do juiz presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo, para responder em processos ligados as empresas da família que prestam – sem concurso público – serviços neste órgão judicial, em violação a Lei da Probidade Pública.
Vanur Leonardo é citado como o “homem” que controla a empresa familiar “IMPORLAB – Prestação de Serviços”, que presta o serviço de limpeza em quase todos tribunais de Luanda.
O mesmo é discente (está a fazer o 2.º ano de Direito) da Universidade Gregório Semedo, e o seu nome consta nas folhas de salários do Tribunal Supremo como técnico superior.
O arguido – que foi recentemente interrogado por magistrados da Direção Nacional de Acção Penal da PGR – diz nada saber sobre as questões que lhe foram colocadas. Também não soube explicar as progressões na carreira de técnico da instituição estatal liderada pelo seu progenitor e que o levam a auferir um ordenado de 275 mil kwanzas, sem nada fazer.
A referida empresa “IMPORLAB”, segundo documentos em posse do Club-K, foi criada em 2019, por Silvano António Manuel, que, em comissão de serviço, fazia parte da cápsula de segurança do presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ), Joel Leonardo.
Silvano António Manuel está detido, desde Fevereiro último, depois de ter sido flagrado a extorquir o antigo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, na qualidade de emissário do seu tio Joel Leonardo.
Ao ser ouvido no DNIAP, na segunda-feira, 06, este major das FAA, alegou desconhecer a empresa “IMPORLAB” mesmo confrontando com documentos onde constam o seu nome e de um outro sócio Garcia João Mavamba.
Em meios da magistratura angolana, proliferam informações que o juiz presidente do Tribunal da Comarca de Luanda, Sebastião Jorge Bessa, que é tido como um dos homens de confiança de Joel Leonardo, estará a mover-se para solicitar a soltura de Silvano António Manuel, uma vez que está preso na sua área de jurisdição.
A importância que Sebastião Jorge Bessa vê na necessidade de interferir no processo contra Silvano Manuel, é baseada no cruzamento de interesses empresariais que ambos partilham.
A empresa IMPORLAB que está em nome de Silvano Manuel presta serviços há mais de três edifícios da comarca de Luanda, que se encontram sob tutela do juiz Sebastião Jorge Bessa.
Há também insistentes relatos, ainda não comprovados, mas que também não se ignoram, indicando que o juiz Sebastião Bessa controla uma outra empresa de limpeza que presta serviço a um dos tribunais, na qual Joel Leonardo beneficia de uma avença mensal, em violação a lei.