PGR investiga Administração do Rangel por destruição de bens avaliados em 10 milhões de dólares
PGR investiga Administração do Rangel por destruição de bens avaliados em 10 milhões de dólares
rangel

A Procuradoria-Geral da República (PGR) está a investigar a alegada destruição de equipamentos de um parque de diversões no município do Rangel, em Luanda, num caso que envolve prejuízos estimados em mais de 10 milhões de dólares e suspeitas de abuso de poder por parte da administração local.

O processo, registado sob o n.º 3192/25, centra-se na actuação da Administração Municipal do Rangel, liderada por Lourenço Luís Domingos, acusada de ordenar a destruição de um carrossel instalado no bairro Nelito Soares (Vila Alice), numa área adjacente à Praça da Independência.

Os equipamentos pertenciam à empresa Tondinha & Irmãos, Lda., do empresário Paulo Afonso Jacinto, que denuncia ter sido alvo de uma acção inicialmente justificada pelas autoridades com a necessidade de desocupar o espaço para uma suposta melhor gestão. A administração alegou ainda que os equipamentos estariam obsoletos, versão contestada pelo proprietário.

Segundo o empresário, os primeiros actos ocorreram em Julho de 2025, quando fiscais municipais terão vandalizado e saqueado parte das infra-estruturas.

Meses depois, em Fevereiro deste ano, os agentes terão regressado ao local e procedido à destruição e incêndio de diversos equipamentos, incluindo parques móveis de diversão, geradores, sistemas de elevação, carros eléctricos, cavalos mecânicos e estruturas administrativas.

Paulo Jacinto afirma que os danos ultrapassam os 10 milhões de dólares, sobretudo devido ao valor da maquinaria importada da Ucrânia e montada em Angola por técnicos especializados.

O empresário sustenta ainda que mais de uma centena de trabalhadores ficou sem emprego na sequência da destruição do parque.

De acordo com o proprietário, o projecto havia sido instalado com autorização das autoridades, ao abrigo de um protocolo com o Governo Provincial de Luanda e o Ministério da Cultura, publicado no Diário da República em 2014.

O parque, inicialmente localizado no Golfe 2, foi transferido para a actual localização por orientação das autoridades provinciais.

O empresário acusa a administração municipal de agir de má-fé, alegando que nunca houve abertura para diálogo e que promessas de reinstalação do parque noutra zona, nomeadamente em Talatona, não foram cumpridas.

Questiona ainda a coerência das autoridades, sublinhando que, se os equipamentos estivessem degradados, não faria sentido a intenção de os reinstalar noutro local.

O caso ganha contornos mais sensíveis com as alegações de que o espaço em causa é alvo de interesse de figuras influentes, incluindo membros do governo, o que, segundo o empresário, poderá ter motivado a actuação das autoridades.

Até ao momento, a Administração Municipal do Rangel não se pronunciou publicamente sobre o caso, apesar das tentativas de contacto.

A investigação da PGR deverá agora apurar responsabilidades e determinar a legalidade dos actos praticados, num processo que levanta questões sobre gestão do espaço público, segurança jurídica e protecção do investimento privado em Angola.

com/Pungo a Ndongo

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido