
O Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla procedeu, recentemente, a detenção de três cidadãos nacionais, com idades compreendidas entre os 20 aos 35 anos, incluindo o motorista da vítima. Todos estão envolvidos na morte de um cidadão eritreu e no roubo de mais de 36 milhões de kwanzas
Os três cidadãos, que foram apresentados ontem à imprensa, fazem parte de uma associação de malfeitores composta por 20 elementos, denominada “Liga dos Campeões”.
Os cabecilhas da tal associação estiveram envolvidos directamente no assalto à mão-armada, onde roubaram 36 milhões de kwanzas e a morte de um cidadão de 40 anos de idade, de nacionalidade eritreia.
Os detidos são João Herculano, motorista da empresa do cidadão eritreu; Wilson António Alfredo, mais conhecido por Jikilson, e Jilsónia Vieira Cardoso, que no dia em questão conduziu a motorizada usada no assalto.
A jovem Jilsónia, também conhecida por Sónia, é namorada de Bernabé Ilustra, mais conhecido por Bad Ilustre (prófugo), suposto autor do disparo que vitimou mortalmente o comerciante eritreu.
De acordo com o Comandante Provincial da Policia Nacional na Huíla, comissário Divaldo Martins, o grupo praticava as suas acções nas províncias da Huíla, Huambo e Benguela.
“Quando falamos em implicados não estamos a referir que todos os integrantes deste número citado tiveram uma actividade criminal no nosso município do Lubango, mas são parte de um grupo. E, nos termos da Lei, basta que mais de uma pessoa concertem um crime, está-se a cometer o crime de associação criminosa. E aqui estamos a falar de um grupo de mais de 20 elementos”, disse.
O grupo “A Liga dos Campeões”, composto por mais de 20 elementos, praticava assaltos com recurso a arma de fogo, tendo como preferência o roubo de telemóveis, bijuterias e dinheiro.
No dia 30 do mês de Janeiro, uma dupla de assaltantes membros da tal “Liga”, nomeadamente Jikilson e Bad Ilustre, viajou da cidade do Huambo para a cidade do Lubango, tendo se hospedado no bairro da Mitcha, em casa da cidadã Jilsónia Vieira Cardoso, para mais uma acção criminosa.
Sónia nega estar envolvida no crime, assume que os marginais ficaram na sua casa cinco dias, mas não sabia o que eles faziam, realçando que apenas os recebeu porque um deles era seu namorado.
“Só me apercebi do crime depois que vi alguns elementos a procura de um telemóvel que estava numa pasta deixada pelo meu namorado na minha casa. Sou inocente, eles nunca me disseram nada sobre o assalto”, disse Sónia.
Nove assaltos no Lubango
No Lubango, e na companhia de outros integrantes, o grupo realizou um total de nove assaltos, com destaque para os roubos qualificados entre os dias 30 de Janeiro e 2, 3, 4 e 5 de Fevereiro em diversos bairros da cidade.
Com as suas acções, os meliantes conseguiram saquear das suas presas um total de 37.640.000,00kz, sendo 1.300.000 kwanzas roubados de um cidadão que circulava na via pública, no bairro do Mutundo, tendo como protagonistas Bad Ilustre e Jikilson. A vítima foi baleada e mais tarde socorrida para uma unidade hospitalar.
O assalto mais lucrativo, na cidade do Lubango, ocorreu no bairro Joaquim Kapango, vulgo Zona Industrial, numa acção combinada entre Pidji, vindo de Benguela, Bad Ilustre, do Huambo, e Jikilson, também do Huambo, tendo sido roubado 36 milhões de kwanzas, das mãos do cidadão eritreu, identificado apenas por Samy, que morreu no local.
O envolvimento do motorista da empresa
Entre os três cidadãos detidos pela Polícia Nacional, na Huíla, está o cidadão João Herculano, natural do Huambo, acusado de ser a pessoa que deu a informação aos meliantes de que, naquele dia, fariam o transporte de avultadas somas de dinheiro com o seu patrão.
De acordo com o comandante provincial, Divaldo Martins, João Herculano tinha conhecimento do valor desde o dia 4 de Fevereiro, que sairia da empresa para uma das agências bancárias e passou tal informação a Pidji, Bad Ilustre e Jikilson, que já estavam à espera do momento certo para a acção.
As suspeitas sobre João Herculano ganharam contornos pelo facto de o mesmo ter passado o dia do assalto com o seu telemóvel desligado e com uma carrinha carregada de mercadoria em parte incerta.
“O motorista é uma peça fundamental deste processo, e há aqui um dado que queremos passar: este motorista é natural do Huambo e regularmente visita aquela província, que acreditamos que esta circunstância permitiu conhecer o Bad Ilustre, a quem passou toda a informação sobre o roubo”, descreveu.
Por outro lado, o comissário Divaldo Martins revelou que o dinheiro roubado durante os nove assaltos não foi recuperado.
No entanto, já se sabe que Bad Ilustre, que está em fuga, terá saído do Lubango para a província de Benguela.
“A cidadã Sónia foi também detida e, embora no início tivesse a evitar responder com verdade, acabou por contar a verdade, tendo-nos dito que no dia 5, após se aperceber que a polícia estava a sua procura, Jikilson e Bad Ilustre saíram com duas pastas e será nestas duas pastas que estavam o dinheiro”, sustentou.
Seis foragidos da Polícia envolvidos na morte de empresário eritreu
O Comandante Provincial da Polícia Nacional da Huíla, Divaldo Martins, disse, durante a conferência de imprensa que serviu também para a apresentação dos três cidadãos envolvidos no mesmo caso, que as três províncias que fazem a região Centro-Sul entraram em prevenção.
Por esta razão, de acordo com Divaldo Martins, já foram emitidos mandados de captura para os seis cidadãos, para que se possa devolver a tranquilidade e ordem públicas nos locais onde estes estiverem refugiados.
“O trabalho ainda não terminou, tivemos um trabalho de investigação muito árduo, conseguimos determinar a autoria, mas ainda falta capturar parte do grupo.
A nossa investigação acabou por contribuir para se esclarecer crimes que estavam a ocorrer fora da província da Huíla”, sublinhou.
Em coordenação com os Comandos das Províncias de Benguela e do Huambo, segundo o comissário Divaldo Martins, conseguiram perceber que se trata de um grupo que ultrapassa as fronteiras da Huíla.
Por isso, enquanto não forem capturados todos os elementos, a Polícia disse que não irá descansar.
“Por isso, pedimos à comunicação social que divulgue o máximo de informação, que partilhe as imagens e dados sobre estes elementos, para que nos cheguem informações suficientes para que possam ser capturados e responsabilizados criminalmente”, sustenta.
in OPaís