
O Comando Geral da Polícia Nacional de Angola pronunciou-se oficialmente sobre as mortes registadas durante a recente paralisação dos taxistas, que degenerou em actos de vandalismo, pilhagens e confrontos em várias zonas de Luanda.
Segundo o porta-voz da corporação, subcomissário Mateus Rodrigues, a Polícia está a investigar 30 das 41 mortes ocorridas, negando ter existido ordens superiores para uso letal da força.
Em declarações à Rádio Essencial, o oficial explicou que os agentes foram obrigados a recorrer a meios letais por considerar que os métodos não letais haviam-se revelado insuficientes para conter a escalada de violência.
De acordo com o Mateus Rodrigues, os confrontos atingiram um nível que colocou em causa a ordem pública e a segurança constitucional.
“A situação fugia do controlo e os efectivos da polícia tiveram que usar de meios, porque os meios não letais não resultavam. As mortes acabaram sendo consequência dos actos que foram praticados pelos cidadãos, envolvidos nesses actos de arruaças, pilhagem e tudo mais”, afirmou.
O subcomissário acrescentou que a Polícia lamenta as perdas humanas, e que o processo de investigação interna está em curso para apurar responsabilidades.
Reforçou ainda que os efectivos também foram alvo de violência, tendo havido agentes feridos com gravidade durante os confrontos.
“As mortes são perdas de vidas, e isso afecta também a polícia. Mas não houve uma estratégia para matar. O que aconteceu foi resultado do caos provocado”, sublinhou.
Quanto à presença de forças especiais nas ruas, como a Unidade de Reacção e Patrulhamento (URP) e a Polícia de Intervenção Rápida (PIR), o director nacional para a Comunicação Institucional da Polícia Nacional considerou a sua actuação essencial, tendo em conta a gravidade dos distúrbios e a necessidade de reposição da ordem pública.
As declarações da Polícia surgem numa altura em que organizações da sociedade civil e defensores dos direitos humanos acusam as forças de segurança de uso desproporcional da força e exigem investigações independentes sobre alegadas execuções sumárias durante os protestos.