Portugal: Angolanos apreensivos face à subida do​ partido Chega
Portugal: Angolanos apreensivos face à subida do​ partido Chega
angolanos em portugal

Membros da comunidade angolana em Portugal expressaram apreensão face a possível entrada do Chega no Governo, terceiro partido mais votado nas legislativas de domingo, neste país europeu.

Nessas eleições, a Aliança Democrática (AD), coligação de direita, liderada por Luís Montenegro, venceu com margem mínima, tendo conseguido 29,49% dos votos e 79 deputados.

O Partido Socialista (PS), do centro-esquerda, encabeçado por Pedro Nuno Santos, obteve 28,66% dos votos, já o Chega, extrema direita, comandado por André Ventura, elegeu 48 deputados.

O Parlamento português é unicameral, sendo composto por 230 deputados, eleitos para mandatos de quatro anos.

Na base da reacção dos membros da comunidade angolana, está o facto de, durante a campanha eleitoral, o discurso anti-imigração ter ganho um grande espaço, principalmente por parte do Chega que quadruplicou o número de deputados e deve fazer parte da solução de direita para uma governação estável.

Por esta razão, a socióloga e jornalista Luzia Moniz, angolana radicada em Portugal há mais de 20 anos, refere que “só se pode esperar medidas repressivas contra a imigração que, em última instância, ameaçam também os acordos da CPLP”.

Ao reagir aos resultados das eleições legislativas em Portugal, Luzia Moniz afirmou que existe uma “galopante subida da extrema direita racista e xenófoba”, bem como receia por um provável cenário de “ingovernabilidade” em consequência dos resultados ditados nas urnas.

Quanto ao rumo da cooperação bilateral, no quadro do novo cenário político em Portugal, é de opinião que não vai alterar as boas relações existentes com o Estado angolano nos diversos domínios.

Por sua vez, o representante do Conselho Cultural da Diáspora angolana, Carlos Gonçalves, entende que com os resultados saídos das eleições de domingo fica latente uma hipotética crise política.

Sublinha que, “havendo realmente a constituição de um Governo de direita, esta direita mais ao centro, terá de se conjugar com a direita mais ao extremo”.

Para si, isso configura um cenário a todos os níveis aterrador para as comunidades de emigrantes, para os afro-descendentes, bem como para a diáspora angolana e ​outros estrangeiros não brancos. Por essa razão “estamos apreensivos com o resultado dessas eleições”, referiu.

No quadro bilateral, Carlos Gonçalves lembrou que Portugal é o maior parceiro comercial de Angola na Europa, bem como o segundo parceiro do país em termos gerais.

Sublinhou, entretanto, que angolanos e portugueses “estão condenados” a viverem juntos, por razões históricas e culturais.

No mesmo quadro, referiu que a União Europeia tem recomendado que os modelos de cooperação e os mecanismos de relacionamento entre os países membros, sobretudo, com África, como é o caso de Angola, devem ser feitos na base da equidade e do respeito mútuo.

Lembrou ser este um parâmetro que deve ser ajustado sempre que a tendência for de hegemonia e aproveitamento.

Carlos Gonçalves sublinhou que os países africanos têm estado a exigir isso. “Já há mais blocos ao nível de concertação na União Africana e isso parece-nos decisivo e fundamental para o futuro das relações entre as partes”, referiu.

Relativamente aos acordos de cooperação existentes, enfatizou que têm sempre uma margem para melhorar, na medida que “a base do relacionamento cultural é muito forte, é comum e tem aspectos incontornáveis”.

Alertou para a necessidade das autoridades angolanas colocarem em cima da mesa as questões que beneficiem também a diáspora do país, que em seu entender é cada vez mais interventiva em Portugal.

Informou que o Conselho Cultural da Diáspora angolana tem estado a sugerir, nos encontros com as autoridades camarárias e o Governo português, uma parceria que releve a contribuição dos angolanos no crescimento e desenvolvimento de Portugal.

Disse que do ponto de vista do desenvolvimento das artes, o capital cultural angolano é muito apreciado pelos portugueses, facto que se deve reflectir ao nível das relações de Estado.

Para Carlos Gonçalves esse é um dos princípios que o Conselho Cultural da Diáspora insiste nos encontros com as autoridades portuguesas.

Com o resultado do pleito, a AD sucede o Partido Socialista (PS) que governou Portugal nos últimos dois anos com maioria absoluta.

Também disputaram o pleito de domingo a Iniciativa Liberal (IL), o Bloco de Esquerda (BE), Coligação Democrática Unitária (PCP-PEV), Livre (L), Pessoas Animais Natureza (PAN) e Alternativa Democrática Nacional (ADN), liderados por Rui Rocha, Mariana Mortágua, Paulo Raimundo, Rui Tavares, Inês de Sousa Real e Bruno Fialho, respectivamente.

in Angop

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