Pré-candidatura de Rafael Savimbi à liderança da UNITA gera debate nas redes sociais
Pré-candidatura de Rafael Savimbi à liderança da UNITA gera debate nas redes sociais
R.savimbi

O anúncio da pré-candidatura de Rafael Massanga Savimbi, filho do fundador da UNITA, à presidência do partido, divulgado esta terça-feira, 7 de Outubro, através de um vídeo nas redes sociais, provocou um amplo debate entre militantes, simpatizantes e observadores políticos.

A declaração do pré-candidato, feita um dia antes do início oficial da recepção de candidaturas ao XIV Congresso Extraordinário da UNITA, que decorrerá de 28 a 30 de Novembro, em Luanda, dividiu opiniões quanto ao timing, maturidade política e impacto simbólico da sua decisão.

Entre as vozes mais críticas, conforme observou o Imparcial Press, está a de Teresa Xissueca, que, nas redes sociais, considerou a candidatura “precipitada” e um sinal de desunião interna.

“Depois do anúncio do Rafael Massanga Savimbi, a conclusão que faço é que um dos maiores problemas da UNITA é que todos querem ser líderes e ninguém quer ser liderado. Assim, não creio que sairá do estatuto de oposição tão cedo”, escreveu.

A mesma foi mais longe, afirmando que o actual líder do partido, Adalberto Costa Júnior, “está de bom tamanho e medida como presidente”, e que a disputa interna pode fragilizar o partido.

“A ganância, a ambição e o tribalismo desenfreado da maioria dos militantes da UNITA vão acabar com o próprio partido. Não creio que seja essa a UNITA que doutor Savimbi idealizou”, acrescentou.

A comentadora alertou ainda para os riscos de se interpretar a candidatura como uma tentativa de “hereditariedade política”, comparando a situação a casos semelhantes em instituições religiosas.

Outros internautas consideraram a decisão legítima, ainda que prematura. Iria Brito, por exemplo, avaliou que “o tempo é curto” para consolidar uma imagem política forte antes do congresso.

“Neste momento ele não tem grandes chances de ganhar, mas a intenção é sempre bem-vinda. O tempo não é suficiente para fazer campanha à sua imagem e programa, mas fica já no stock”, comentou.

No mesmo sentido, Filipe Lubamba defendeu que o “terreno político” ainda pertence a Adalberto Costa Júnior.

“Por enquanto, o terreno está preparado para ACJ, que é a pessoa da UNITA com relevância na boca do povo angolano. A candidatura de Rafael é prematura. Tenho esperança de que ACJ será presidente de Angola em 2027; até lá, Rafael pode tentar no XV Congresso, em 2030”, escreveu.

Alguns comentários destacaram também o peso histórico do nome Savimbi, alertando para possíveis repercussões políticas fora da UNITA.

Orlando José considerou que “o candidato foi mal orientado quanto ao momento” e que o seu gesto “pode ser explorado politicamente” pelos adversários.

“Caso venha a vencer internamente, o MPLA poderá beneficiar-se da situação, pois os episódios negativos associados à figura do seu pai ainda permanecem muito presentes na memória dos angolanos”, afirmou.

Entre as vozes que defenderam o direito de Rafael Savimbi a concorrer, Albino Pakisi destacou o carácter democrático do partido.

“Enquanto nalguns partidos os militantes precisam de bênção para se apresentar como candidatos, na UNITA basta ter as quotas pagas, tempo de militância e ficha limpa. Nada de bênçãos, apenas o cumprimento dos estatutos”, escreveu.

O analista apelou ainda à serenidade dos militantes e delegados ao congresso. “Não votem nas redes sociais. Deixem que os candidatos façam a sua campanha sem ruído. Vigiai e orai, porque existem muitos leões e diabos à vossa volta”, alertou.

Já Carlos Manaça criticou o tom do vídeo de anúncio, afirmando que Rafael Savimbi evitou referências directas ao seu pai. “O Rafael começou mal. Em nenhum momento fala do seu pai, Jonas Savimbi, fala apenas do bisavô. Fugir das consequências nos aprisiona; enfrentá-las nos liberta”, escreveu.

Um debate que antecipa o clima do congresso

O vídeo de pré-candidatura – onde Rafael Savimbi afirma responder “ao chamado da história” e promete unir “o legado dos ancestrais às aspirações das novas gerações” – marcou o arranque oficioso da corrida à liderança da UNITA, que deverá intensificar-se nas próximas semanas.

O XIV Congresso Extraordinário será decisivo para definir o rumo político do principal partido da oposição, com Adalberto Costa Júnior ainda a ser apontado como o favorito à reeleição.

Enquanto isso, as redes sociais transformaram-se no primeiro campo de batalha política, onde o nome Savimbi volta a despertar emoções, memórias e divisões históricas.

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