Prejuízos do Banco Económico disparam 613% para 270,6 mil milhões de kwanzas
Prejuízos do Banco Económico disparam 613% para 270,6 mil milhões de kwanzas
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O Banco Económico registou um resultado líquido negativo de 270,6 mil milhões de kwanzas em 2023, o que representa um crescimento de 613% face aos 38,0 mil milhões registados em 2022, de acordo com contas do Expansão com base no balancete individual relativo ao IV trimestre de 2023.

Desde que o Banco Económico renasceu das cinzas do antigo Banco Espirito Santo Angola, em 2014, que este é o sexto exercício financeiro em que regista prejuízos. De lá para cá, o banco hoje liderado por Victor Santos entre lucros e prejuízos tem um saldo acumulado de 816,1 mil milhões de kwanzas.

Em dólares, calculados à taxa de câmbio de final de cada exercício financeiro, os prejuízos do ex-BESA andam à volta dos 1.800 milhões de dólares. Contribui para esse saldo aquele que foi o segundo maior prejuízo da banca angolana, em 2019, quando o BE fechou o ano com um resultado líquido negativo de 531,2 mil milhões Kz, equivalente a 1.101,5 milhões de dólares.

Pior só mesmo o BPC em 2020, quando o maior banco público fechou as contas com prejuízos de 535,9 mil milhões de kwanzas, num ano em que a descida do rating de Angola e a avaliação à qualidade dos activos feita pelo BNA a “mando” do FMI destapou as dificuldades que vários bancos (entre eles o BE) tinham em termos da exposição das suas carteiras de crédito ao malparado.

Desde que o banco central fez a avaliação aos activos da banca que o Económico passou a estar em falência técnica, com passivos superiores aos activos. Entretanto, já passaram cinco anos e o banco permanece nesta situação, agravada por dificuldades de liquidez.

Isto porque a “manobra” encontrada pelo banco central para evitar a recapitalização por parte do seu maior accionista até ao ano passado, o Estado, que passou por converter em capital os depósitos dos seus maiores depositantes, não garantiu liquidez ao banco.

No final do IV trimestre de 2023, o activo do banco era de 908,0 mil milhões de kwanzas, enquanto o passivo era de quase 1,4 biliões de kwanzas, em que cerca de 1,0 biliões eram depósitos dos clientes, que praticamente não conseguem retirar do banco. Assim, o banco tem fundos próprios negativos em 173,3 mil milhões de kwanzas.

O Banco Espírito Santo perdeu o controlo do BESA em Julho de 2014, quando o Estado angolano anunciou a tomada do controlo da instituição financeira e a injeção de um capital de 3.000 milhões USD, mas acabou por ser declarado insolvente a 14 de Outubro de 2014.

Caso BES vai finalmente a julgamento em Portugal

O caso do BESA levou à falência do BES em Portugal. Em Portugal está agendado para 28 de Maio o julgamento do então presidente do BES, Ricardo Salgado, que vai responder por 65 crimes pelos quais foi acusado pelo Ministério Público.

Será julgado por 29 crimes de burla qualificada, 12 de corrupção activa no sector privado, sete de branqueamento, sete de falsificação de documento, cinco de infidelidade, dois de falsificação de documento qualificada, dois de manipulação de mercado e um de associação criminosa.

Este é só um dos vários processos em que está envolvido, tendo sido condenado recentemente pelo Tribunal Supremo, que confirmou uma pena de oito anos de prisão decretada em instâncias anteriores. Em Angola, pouco ou nada se sabe sobre se o caso da falência do BESA está a ser investigado pela justiça.

in Expansão

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