
Em entrevista ao Canal France24, a partir de Londres, o Presidente da República, João Lourenço, revelou que o “sistema” de governação do finado ex-Presidente José Eduardo dos Santos era um promotor da corrupção que destruiu o tecido sócio-económico de Angola.
Segundo o Chefe de Estado, o actual regime é de combate à corrupção. “Nós combatemos aquilo que era considerado normal na altura”, disse, acrescentando que o regime de José Eduardo dos Santos nunca combateu a corrupção.
“A corrupção só está a ser combatida agora no meu mandato”, garantiu, ironicamente, João Lourenço, o último ministro da Defesa Nacional no regime de José Eduardo dos Santos.
“Os órgãos de justiça nunca tiveram tanto trabalho a tratar deste tipo de crime específico (…) e nunca se dedicaram tanto a tratar de casos de combate à corrupção como agora no meu mandato”, frisou.
O Presidente da República negou ainda que o novo regime seja a uma continuidade do regime de José Eduardo dos Santos no que toca à corrupção. “O novo sistema combate à corrupção, o antes era promover a corrupção”, assegurou.
Sobre o processo-crime que pesa contra Isabel dos Santos, João Lourenço deixou claro que “nada mudou” e que o assunto está entregue à Interpol. “Nós temos fé que a Interpol vai cumprir o papel que lhe compete e nós não queremos, em princípio, interferir”, observou, negando que seja uma perseguição.
“Ela tem contas a ajustar perante a Justiça e é com a Justiça que ela se deve defender e não na comunicação social”, reforçou, socorrendo-se de um velho adágio popular, “costuma-se dizer que quem não deve não teme”.