
A presidente do Instituto Superior Politécnico do Bengo, Aurora Cuaiela João Mateus Bambi dos Santos, foi formalmente constituída arguida num processo criminal que investiga suspeitas de corrupção, nepotismo, tráfico de influência e desvio de mais de 30 milhões de kwanzas destinados à investigação científica.
O processo está a ser conduzido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) na província do Bengo e encontra-se registado no Departamento de Combate aos Crimes de Corrupção sob o número 84420/025.BGO.
No âmbito da investigação, Aurora Bambi foi ouvida ontem, quinta-feira, 12, na qualidade de arguida, pelo instrutor do processo Manuel Vemba.
As investigações surgem na sequência de denúncias apresentadas por estudantes e funcionários da instituição, que acusam a direcção do ISP-Bengo de alegadamente transformar a gestão académica num sistema de favorecimento familiar e de desvio de fundos públicos destinados à investigação científica.
O escândalo ganha maior dimensão política pelo facto de o próprio ministro do Ensino Superior, Albano Vicente Lopes Ferreira, ter criado anteriormente uma comissão de inquérito para investigar as irregularidades denunciadas no instituto.
A comissão foi instituída através do Despacho Interno n.º 20/2025 e deveria apresentar um relatório final no prazo máximo de 15 dias.
Contudo, mais de três meses depois da criação da comissão, o relatório nunca foi tornado público e nenhuma medida administrativa foi anunciada, situação que levanta suspeitas de que o processo possa ter ficado parado ao nível do gabinete ministerial.
Fontes ligadas à investigação indicam que a equipa de inspecção deslocou-se ao ISP-Bengo, recolheu depoimentos e analisou documentos que confirmariam várias das irregularidades denunciadas. Ainda assim, o processo administrativo não avançou dentro do Ministério.
O caso envolve também o irmão da presidente da instituição, Mateus Elavoko, que exerce funções como chefe do Departamento Jurídico e de Intercâmbio Internacional do ISP-Bengo. Mateus Elavoko foi igualmente convocado para interrogatório pelo SIC.
Inicialmente, Mateus Elavoko apresentou-se como advogado de defesa da irmã, mas acabou por se tornar também visado no processo criminal, deixando de poder representá-la juridicamente.
Segundo informações recolhidas durante a instrução preparatória, Aurora Bambi e Mateus Elavoko terão sido responsáveis por uma denúncia apresentada junto do SIC contra as vice-presidentes da instituição, Maria de Fátima Bandeira e Francisca Mukola.
Na denúncia, os dois gestores acusavam as vice-presidentes de alegada adulteração de notas no sistema académico, insubordinação e sabotagem institucional.
Contudo, durante a investigação, várias dessas acusações teriam sido consideradas inconsistentes ou não confirmadas, levantando suspeitas de tentativa de manipulação institucional para afastar membros da direcção.
Outro elemento que agravou o escândalo envolve um terceiro irmão da presidente do instituto, Renato Luís, apontado como responsável por alegados desvios de valores ligados ao fundo de manejo da instituição.
Apesar de existirem indícios documentais sobre irregularidades na gestão desses recursos, Aurora Bambi terá protegido o familiar, numa atitude que várias fontes classificam como um caso de nepotismo dentro da administração do ISP-Bengo.
De acordo com denúncias internas, Renato Luís continuará a exercer influência na gestão da instituição, incluindo no recrutamento de trabalhadores sem contrato formal.
Um dos casos citados envolve a integração do jardineiro José Pedro no quadro de funcionários por orientação directa do próprio Renato Luís, sem observância dos procedimentos legais da função pública.
Perante o avanço da investigação criminal, cresce a pressão sobre o ministro do Ensino Superior e sobre o Governo Provincial do Bengo, liderado pela governadora Maria Antónia Nelumba, para esclarecer se existe ou não protecção política à actual presidente do ISP-Bengo.