Pressão do GAFI pode levar autoridades angolanas a investigar a Sonangol
Pressão do GAFI pode levar autoridades angolanas a investigar a Sonangol
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As autoridades angolanas admitem a possibilidade de alargar as investigações sobre crimes financeiros à petrolífera estatal Sonangol e ao seu presidente do conselho de administração, Sebastião Gaspar Martins, no quadro das medidas exigidas pelo Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) para a retirada de Angola da “lista cinzenta” até Janeiro de 2027.

A hipótese surge numa altura em que o país procura demonstrar maior eficácia no combate ao branqueamento de capitais, à corrupção e à criminalidade económico-financeira, depois de ter entrado, em Outubro de 2024, para a lista de jurisdições sob monitorização reforçada do GAFI.

Segundo apurações, após as recentes condenações no caso da Administração Geral Tributária (AGT), outros dossiês ligados à gestão de recursos públicos poderão ser reavaliados, sobretudo em sectores considerados estratégicos e de elevada exposição financeira.

A Sonangol, principal empresa pública do país e peça central da economia angolana, é apontada como uma das instituições sob maior escrutínio, num contexto em que relatórios internacionais recomendam a Angola o reforço das investigações, confiscações e condenações em matérias de branqueamento de capitais.

A pressão sobre as autoridades angolanas aumentou desde a entrada do país na “lista cinzenta”, com o GAFI a exigir resultados práticos e não apenas ajustamentos legislativos.

Nesse quadro, analistas consideram que eventuais processos envolvendo grandes entidades públicas poderão funcionar como teste à capacidade do Estado para actuar sobre estruturas com peso político e económico.

Nos bastidores, a reorganização institucional já começou a reflectir essa nova urgência. Em 24 de Fevereiro de 2026, o Presidente angolano nomeou Fausta Raul Muzumbi para o cargo de directora-geral da Unidade de Informação Financeira (UIF), substituindo Gilberto Moisés Moma Capeça.

Caso as suspeitas em torno da Sonangol avancem para fase criminal, Angola poderá entrar num terreno politicamente sensível, não apenas pelo peso da empresa na economia, mas pelo histórico de opacidade, centralização e influência que sempre rodeou a gestão da petrolífera estatal.

Com o prazo de Janeiro de 2027 a aproximar-se, Angola joga mais do que a saída de uma lista internacional: joga a credibilidade das suas instituições, a confiança dos parceiros financeiros e a percepção de que o Estado está disposto a investigar não apenas os marginais do sistema, mas também os seus pilares.

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