
Quadros reformados do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM) acusam o Presidente da República, João Lourenço, de estar a comprometer o investimento feito ao longo de vários anos na estrutura da inteligência militar, particularmente o que foi consolidado durante a governação do ex-chefe de Estado José Eduardo dos Santos.
Os antigos efectivos sustentam ao Imparcial Press que o actual modelo de gestão e reorganização do sector tem conduzido ao afastamento e à desvalorização de quadros experientes, num processo que enfraquece a capacidade institucional do Estado em matéria de segurança e inteligência.
Para estes reformados, a situação ultrapassa o plano administrativo e representa uma questão estratégica, com implicações directas na segurança do Estado, na estabilidade institucional e na preservação de conhecimento acumulado ao longo de décadas.
Segundo os reclamantes, o país investiu recursos humanos, financeiros e operacionais significativos na formação de especialistas em inteligência militar, muitos dos quais agora se encontram na reforma sem qualquer mecanismo de reaproveitamento funcional, assessoria técnica ou integração institucional.
Os antigos quadros consideram que esse capital humano, construído ao longo de anos e reforçado durante o consulado de José Eduardo dos Santos, está a ser progressivamente desperdiçado.
Na óptica dos subscritores das reclamações, o actual Executivo “estragou” o investimento anteriormente realizado no sector, ao não criar políticas que permitam preservar a experiência, a memória institucional e a continuidade funcional de quadros especializados.
Os reformados defendem que a experiência acumulada em áreas como análise estratégica, segurança do Estado, prevenção de ameaças, contra-inteligência e leitura operacional de riscos não pode ser descartada com a simples passagem à reforma.
Na sua visão, a retirada destes quadros sem mecanismos de integração em funções de consultoria, formação, doutrina, apoio estratégico ou transmissão de conhecimento representa uma perda institucional de difícil reposição.
“A força de um Estado mede-se também pela forma como preserva os seus melhores quadros”, referem os antigos efectivos, numa das posições partilhadas, alertando que ignorar esse princípio poderá ter “custos difíceis de reverter” no futuro.